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terça-feira, 16 de junho de 2009

Hoje é Bloomsday! *

Confesso: nunca concluí a leitura de Ulisses, o colosso de James Joyce, mas estou sempre folheando o livro, lendo um trecho aqui, outro trecho ali, numa leitura dinâmica de metodologia loucamente pessoal. Mas enfim...


Em poucas palavras, ele narra os acontecimentos de um dia na vida de Leopold Bloom, um irlandês tão comum que chega a ser fora do comum: gosta de passear pelas ruas de Dublin, sem fazer coisa alguma, apenas pensando um monte de besteiras em situações vexatórias (aqui o fluxo de consciência revolucionou a literatura); não sabe beber muito bem, porque se sente estranho quando embriagado, o que acaba excluindo-o do convívio de seus patrícios, já que todo irlandês é um bom beberrão (todos o apontam como um homem muito esquisito); tem uma esposa, Molly Bloom, de quem leva severos chifres; tem uma filha adolescente, Milly, que guarda um sério talento para fotografia, e de quem Bloom sente exagerados ciúmes - assim como sente pela esposa adúltera; e os poucos "amigos" que considera, falam mal dele pelas costas. Até aí, tá tudo muito bom, tá tudo muito bem... Uma história como outra qualquer em meio à tantas contadas pela Aventura Humana na Terra. Mas o enredo simples ganha ares incomuns quando Bloom conhece o angustiado Stephen Dedalus - que muitos têm a séria impressão de que se trata do alter-ego de Joyce - um jovem médico cheio de problemas que acaba ouvindo de Bloom o conselho de que a solução para tais problemas é partir - assim como Joyce só conseguiu escrever Ulisses após bons anos de exílio em Trieste-Zurique-Paris, bem longe de sua Dublin natal. Sacou o trocadilho de situações?


Todas as histórias e acontecimentos de um intervalo de 24 horas da vida de Bloom, o dia 16 de junho de 1904, são esmiuçados, com riqueza de detalhes (até um tanto escatológicos), nas cerca de mil páginas do colosso de Joyce, Ulisses. E por muito tempo, o dia 16 de junho tem sido lembrado como o Dia de Bloom ou, simplesmente, Bloomsday.

Virou data nacional na Irlanda! Mundo a fora, os amantes da literatura cultivam a tradição. Há festas grandes de Bloomsday inclusive no Brasil - uma muito famosa em São Paulo, outra tradicional em Porto Alegre e outras menos conhecidas, mas não menos importantes, como o Bloomsday de Brasília. Aqui na city, um grupo de amigos não chega a comemorar, mas sempre lembra a data e a inspiração que Joyce-e-Bloom-e-Dedalus-e-Molly nos dão. É a esses amigos que dedico essa postagem: a eles dedico o dia 16 de junho. E dedico a lembrança viva de que, apesar de distantes, continuamos amigos.

*republicação anual
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domingo, 24 de maio de 2009

Nem tão bem

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Desculpem o sumiço, pessoal, mas ando passando por uma discreta depressão. Espero melhorar antes que fique pior de vez.
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quarta-feira, 29 de abril de 2009

Daqui a pouco...

... neste blog, o Filme da minha Vida.
=*

terça-feira, 10 de março de 2009

Na espera



Continuo sem PC.

Na espera de um novo...
Ou da grana para comprar um novo.
hahaha

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Hoje é Bloomsday!

Confesso: nunca concluí a leitura de Ulisses, o colosso de James Joyce, mas estou sempre folheando o livro, lendo um trecho aqui, outro trecho ali, numa leitura dinâmica de metodologia loucamente pessoal. Mas enfim...

Em poucas palavras, ele narra os acontecimentos de um dia na vida de Leopold Bloom, um irlandês tão comum que chega a ser fora do comum: gosta de passear pelas ruas de Dublin, sem fazer coisa alguma, apenas pensando um monte de besteiras em situações vexatórias (aqui o fluxo de consciência revolucionou a literatura); não sabe beber muito bem, porque se sente estranho quando embriagado, o que acaba excluindo-o do convívio de seus patrícios, já que todo irlandês é um bom beberrão (todos o apontam como um homem muito esquisito); tem uma esposa, Molly Bloom, de quem leva severos chifres; tem uma filha adolescente, Milly, que guarda um sério talento para fotografia, e de quem Bloom sente exagerados ciúmes - assim como sente pela esposa adúltera; e os poucos "amigos" que considera, falam mal dele pelas costas. Até aí, tá tudo muito bom, tá tudo muito bem... Uma história como outra qualquer em meio à tantas contadas pela Aventura Humana na Terra. Mas o enredo simples ganha ares incomuns quando Bloom conhece o angustiado Stephen Dedalus - que muitos têm a séria impressão de que se trata do alter-ego de Joyce - um jovem médico cheio de problemas que acaba ouvindo de Bloom o conselho de que a solução para tais problemas é partir - assim como Joyce só conseguiu escrever Ulisses após bons anos de exílio em Trieste-Zurique-Paris, bem longe de sua Dublin natal. Sacou o trocadilho de situações?

Todas as histórias e acontecimentos de um intervalo de 24 horas da vida de Bloom, o dia 16 de junho de 1904, são esmiuçados, com riqueza de detalhes (até um tanto escatológicos), nas cerca de mil páginas do colosso de Joyce, Ulisses. E por muito tempo, o dia 16 de junho tem sido lembrado como o Dia de Bloom ou, simplesmente, Bloomsday.

Virou data nacional na Irlanda! Mundo a fora, os amantes da literatura cultivam a tradição. Há festas grandes de Bloomsday inclusive no Brasil - uma muito famosa em São Paulo, outra tradicional em Porto Alegre e outras menos conhecidas, mas não menos importantes, como o Bloomsday de Brasília. Aqui na city, um grupo de amigos não chega a comemorar, mas sempre lembra a data e a inspiração que Joyce-e-Bloom-e-Dedalus-e-Molly nos dão. É a esses amigos que dedico essa postagem: a eles dedico o dia 16 de junho de 2008. E dedico a lembrança viva de que, apesar de distantes, continuamos amigos.

segunda-feira, 3 de março de 2008

Querendo voltar...

... mas cheia de trabalho. Estou à espera de uma folga esta semana.

domingo, 17 de dezembro de 2006

Que diabos é Doppelgänger?

Lendas germânicas contam que o doppelgänger é um ser fantástico, muitas vezes confundido com um monstro, que tem a habilidade de representar a cópia idêntica de uma pessoa. Imita em tudo a pessoa copiada, até mesmo as características internas mais profundas, com a diferença de que não possui qualquer senso de vergonha ou receio de não-aceitação social, o que quer dizer que: tudo que lhe dá na vontade, ele faz, independente do que possa ser definido como “boa ação” ou “mau comportamento”. Trocando em miúdos, ele seria o duplo de qualquer pessoa, uma réplica, que vive em lugar ignorado e que, sempre, é muito pior que a pessoa “original”: um oposto perfeito.

A primeira vez que ouvi falar [ou melhor, li] essa palavra foi no romance de Michael Chabbon, Garotos Incríveis (presente na minha top list de leituras), em que um personagem padecia com a presença constante de seu doppelgänger, espantando amigos, exagerando nos passos de dança numa boate, insolentemente dando em cima de mulheres indisponíveis, enfim, fazendo tudo o que um tímido professor de literatura alemã não faria nem em seus dias mais “livres”.

Existem muitas controvérsias sobre como esta criatura é definida: algumas lendas dizem que se trata de um prenúncio de maus agouros, enquanto outras a definem como uma representação acentuada do lado negativo de uma pessoa. No primeiro caso, conta-se que ver seu próprio doppelgänger é um sinal de morte iminente, pois reza o mito que está-se vendo sua própria alma projetando-se para fora do corpo, para assim embarcar rumo ao plano astral. Nesta versão, é possível encaixar acontecimentos estranhos, e às vezes até inexplicáveis, que aconteceram com pessoas públicas ou não. Um dos mais interessantes é o episódio relacionado à morte de Abraham Lincoln, presidente norte-americano que manteve a unidade dos Estados Unidos durante a Guerra da Secessão, cujo doppelgänger teria aparecido num sonho de sua esposa, um dia antes dele [Lincoln] ser assassinado.

A definição de doppelgänger como o gênio ruim também é uma ótima versão da lenda, já que o monstrengo tentaria exercer uma influência negra sobre seu par “verdadeiro” ou simplesmente tentaria destruir a imagem boa plantada pelo seu par ao longo dos anos - como é o caso do personagem de Chabbon. Essa versão já ilustrou muita literatura, como no fantástico romance [ou romance fantástico] de Italo Calvino, O Visconde Partido ao Meio, onde um visconde, como é sugerido no título, é partido ao meio por uma bala de canhão, durante uma das muitas guerras santas da Idade Média: milagrosamente, as duas metades do visconde voltam à sua terra natal, uma fazendo muitas maldades e outra fazendo bondades demais, o que causa uma onda de revolta no vilarejo, já que ninguém agüenta alguém completamente mau ou insuportavelmente bom.

Um amigo disse uma vez que o doppelgänger nada mais é do que os conflitos internos de cada um brigando entre si - isso até foi parar na descrição do blog! A opinião é muito relevante, quando lembramos que de vez em quando estamos a nos perguntar "será que aquela situação não pedia um pouco mais de maldade da minha parte?" ou "sou boba sempre e, no fundo, só quero ser boa..." e coisas desse tipo; quer dizer: o que vale mais à pena? Ser "bom" e ser querido por todos ou me comportar como um sujeito "mau" e fazer só o que me der na idéia?

Enfim, minha versão da lenda preferida: o doppelgänger de cada um estaria perdido nesse mundão que a gente conhece [e no que a gente desconhece também] talvez fazendo simplesmente coisas que a gente tem vontade, mas não tem coragem. Sob esse ponto de vista, posso dizer que o doppelgänger é uma versão feliz de nós mesmos! Aí, caros amigos, eu vos digo: que vontade de encontrar meu doppelgänger perdido...