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domingo, 21 de junho de 2009

Solta o som: trilha sonora dos meus dias

Da série Blogagem Coletiva

Pra mim, ouvir música é sagrado. É óbvio. É rotina. É pão-de-cada-dia.

Acordo e ligo som e vou dando andamento nas tarefas do cedo da manhã: tomar banho, vestir-se, arrumar-se, tomar café, escovar os dentes, pegar a chave do carro, ligar o som, dirigir ouvindo música, chegar ao trabalho, enfiar o pen-drive no PC, trabalhar ouvindo música. Não consigo fazer nada se não for dessa maneira e assim, vai passando o dia.


O prazer de ouvir música determinou a escolha de minha profissão. Quando entrei na faculdade de Comunicação da UFMA, fui estagiar na Rádio Universidade FM, simplesmente a melhor rádio de São Luís e adivinha que função exerci?! Programadora musical! Escutava álbuns e álbuns, títulos e títulos, sempre na busca pela combinação perfeita de músicas. E tinha o maior prazer da vida em escutar o resultado de tantas buscas pelo rádio, sintonizado na 106,9 MhZ.

O primeiro homem que amei me amarrou pela música que ouvia [também pelos livros que lia e escrevia, mas isso não vem ao caso]. Depois o amor passou, as exigências para o amor também, mas a música ficou, cada vez mais forte e, por vezes, dilacerante. Mas não vejo nenhum problema em pautar a minha vida pela música. Assim sou mais feliz.

Segue abaixo uma pequena lista de músicas que estão no meu pen drive - é nele que está a maioria das músicas que ouço no carro e no trabalho. A ordem listada não denota importância alguma.

So far away - Dire Straits
No Surprises - Radiohead
The man who sold the world - com Nirvana
Blowing in the wind - Bob Dylan
Kozmic Blues - Janis Joplin
Stairway to heaven - Led Zeppelin
Money - Pink Floyd
The man I love - Billie Holyday
Stormy Weather - Etta James
My Baby just cares for me - Nina Simone
Is this love - Bob Marley (é o toque do meu celular!)
Yesterday - The Beatles
It Ain't Over 'Til It's Over - Lenny Kravitz
Baby - Os Mutantes
Karma Police - Radiohead
Maybe - Janis Joplin
Ain't Got No...I've Got Life - Nina Simone
At last - Etta James
Somewhere over the rainbown - Judy Garland
In between days - The Cure
I'm so sorry - Morrisey
Give Me Love - com Marisa Monte
Tudo do Chico Buarque, em especial Futuros Amantes, que lembra muito um poema do Drummond que amo!




Tudo da Adriana Calcanhoto, em especial Inverno, que lembra um poema* do Manuel Bandeira que me diz muita coisa em poucas palavras.
Tudo do Ney Matogrosso
Ceumar
Elis Regina
Nouvelle Cuisine
Los Hermanos
Zeca Baleiro
Paula Toller (solo)
[é muita coisa, não dá pra continuar].

*Todas as manhãs o aeroporto em frente me dá lições de partir:
Hei de aprender com ele

A partir de uma vez

- Sem medo,

Sem remorso,

Sem saudade.


[Trecho de Lua Nova ]
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Este post faz parte da Blogagem Coletiva - Solta o som, a trilha sonora da minha vida, proposta pela Vanessa, do Fio de Ariadne, ao qual 33 blogueiros aderiram e estão escrevendo sobre o som que faz suas cabeças. Para ler esse pessoal todo, clique aqui.

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domingo, 14 de junho de 2009

Blogagem Coletiva: Solta o Som!

É difícil falar de música, principalmente quando penso que todo mundo a reconhece - e a ama - intuitivamente: não conseguimos dar conceitos a tudo que conhecemos; há coisas que só precisam ser sentidas. A música me parece assim, algo que nos relaxa, nos agrada, nos harmoniza e nos enriquece. Então, fica a questão: pra quê falar de conceitos se sabemos exatamente seus efeitos?

É com a ideia de tentar passar o que a música causa em mim, que me inscrevi para a Blogagem Coletiva da vez, Solta o Som, proposta pela Wanessa (Fio de Ariadne), que rola no dia 21 deste mês. Nela, vou tentar responder qual trilha sonora da minha vida! Convite logo abaixo.


"Dia 21 de junho é Dia da Música, até lá, se te agradar, deixe seu nome e url do blog na lista abaixo e prepare um post respondendo à pergunta do blog da maneira que desejar. Vale contar uma ou várias histórias das canções que fazem parte de sua trilha sonora, colocá-las para tocar no blog, o que quiser. A trilha sonora é sua."

Para participar, inscreva seu nome e url do blog clicando aqui. E passa por aqui no dia marcado, para conhecer a trilha sonora da minha vida.
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quarta-feira, 29 de abril de 2009

Os filmes da minha vida

Da série Blogagem Coletiva

Filmes, filmes, filmes! Qual a melhor diversão do mundo depois de uma boa leitura? Claro que é se entregar, por algumas horas, à magia do cinema! Ali se encontra tudo que há num bom livro: história, enredo, suspense, encantamento, fascinação, personagens... Aliás, esses três últimos "itens" são definitivos para que eu tenha certeza que aquilo lá que eu vi é realmente um filme excepcional.

Já vi muitos e isso torna especialmente difícil e árdua a tarefa de escolher um só para ser "o" filme da minha vida. Como acabei fazendo na escolha do livro da minha, decidi apontar três títulos que mudaram para sempre minha maneira de ver a vida.

Vou começar pelo filme que me causou a sensação mais gostosa que se tem ao assistir um filme: o encantamento. Supercalifragilisticexpialidocious! Quando escutei isso pela primeira vez - lá pelos meus oito anos - nossa! O encantamento foi imediato. Mary Poppins [1964, Robert Stevenson] com sua sombrinha que servia de pára-quedas, seu amigo limpador de chaminés que fazia desenhos no chão - e dava pra mergulhar neles - e sua valise com um fundo sem fim fez parte de meu imaginário por muitos anos. E até hoje, quando ando no maior estresse, essa obra-prima do cinema sempre aparece como apaziguador dos hormônios e pressões da vida: é só assistir que saio feliz, cantarolando as canções da babá mais divertida do mundo.


O segundo filme da lista foi o que me causou uma fascinação que me faz suspirar até hoje, quando penso nele: Casablanca [1942, Michael Curtiz] com sua história de amor cheia de rancores e paixões exacerbadas conquistou platéias do mundo inteiro e não foi por acaso! Rick (Humphrey Bogart) é sombrio e desiludido, encarando a vida com a dureza e o cinismo dos que carregam o coração partido; ele comanda um bar em Casablanca, único ponto de fuga para sua amada Ilsa, (Ingrid Bergman, lindíssima) que não está sozinha, mas com o marido - e ele não é qualquer um: ele é simplesmente um dos cabeças da resistência tcheca ao nazismo que tomava conta da Europa na Segunda Grande Guerra. Em meio a toda a turbulência política que ronda o local, Rick e Ilsa relembram o grande amor vivido entre os dois ainda em Paris, antes da invasão nazista na França. E quando Sam, o pianista do Rick's Bar toca As time goes bye, após a discreta insistência de Ilsa, a paixão por essa história e por esse filme é instantânea.

Uma outra coisa que destaco nesse filme é a riqueza dos diálogos, com frases e situações afiadíssimas para quem gosta de prestar atenção nisso. Tudo é muito cínico, tudo é muito duro, principalmente quando os personagens do Risck's Bar estão em cena. Na passagem em que Ilsa insiste que Sam toque As time goes by, ele simplesmente finge que não a conhece! O diálogo:

ILSA: Toque uma vez, Sam. Pelos bons velhos tempos.
SAM: Eu não sei o que quer dizer, senhorita.
ILSA: Toque, Sam. Toque As time goes by.

E os acordes e o vozeirão de Sam enchem o bar, para desespero de Rick, que queria mesmo era esquecer aquilo tudo. Fan-tás-ti-co!


O último filme dessa humilde lista é um que me causou fascinação e encantamento pela riqueza dos personagens apresentados ali. Também me fez ter certeza de que o cinema e a arte são uma fábrica inesgotável de possibilidades: Dogville, de Lars von Trier [2003]. Cinema com cara de teatro, teatro do absurdo, teatro caixa preta, num galpão escuro e sem elementos de cena. Um filme baseado na força de sua história e de suas atuações: um show.

O filme começa com uma tomada de cima, onde se pode ver o desenho da cidade - com as marcações dos espaços das casas desenhados no chão. A cidade se chama Dogville e é lá que Grace (Nicole Kidman, atuação fenomenal) procura abrigo ao fugir de gângsteres. Os moradores do local não querem se comprometer, mas deixam Grace ficar por ali, fazendo tarefas que "não são necessárias", mas que os moradores "generosamente" permitem. A verdade é que não há generosidade ou bondade, mas apenas uma relação de troca. E é aqui que a história relata de maneira magistral a arrogância inata ao ser humano. Lindo, simplesmente lindo.


Esses são os filmes da minha vida. Espero que tenham assistido - e gostado.
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Escute aqui As time goes by como toca em Casablanca.

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Este post faz parte da Blogagem Coletiva - O Filme da Minha Vida, proposta pela Vanessa, do Fio de Ariadne, ao qual 120 blogueiros cinéfilos aderiram e estão, hoje e amanhã, escrevendo sobre os filmes de suas vidas. Para ler esse pessoal todo, clique aqui.
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quarta-feira, 1 de abril de 2009

25 anos sem Marvin Gaye

Levanta a mão quem nunca sentiu vontade de ligar para o namorado [ou equivalente] e convidá-lo para uma fantástica noite a dois, no exato momento em que ouve o primeiro acorde de Let's Get it On! Todo mundo, né? Essa sensualidade a flor-da-pele foi uma das grandes marcas da obra de Marvin Gaye, astro de talento inegável do Rhythm and Blues, que morreu há exatos 25 anos.
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Gaye foi morto a tiros pelo pai, um pastor evangélico que tinha o mesmo nome do filho famoso, no dia 1° de abril de 1984, a um dia de completar 45 anos. Os tiros foram ocasionados por mais uma discussão entre os dois, coisa que havia se tornado rotineira na família. Problemas com drogas e relacionamentos, além de depressão e manias de perseguição levaram Gaye a voltar a morar com os pais na Califórnia.

Mas antes desse final trágico, esse gênio da soul music nos deixou uma vasta herança musical que ninguém tira da competência e originalidade dele: canções de letras sensuais, álbuns engajados na preservação do planeta [What's Going On] - isso em 1971! - tudo isso consta no inventário artístico de Marvin Gaye, que se estivesse vivo, completaria 70 anos amanhã.

Sexual Healing, lançada no álbum Midnight Love, em 1982, rendeu os dois primeiros prêmios Grammy da carreira de Gaye - nas categorias melhor performance R&B e melhor R&B instrumental. A magistral apresentação de Marvin Gay cantando a canção, na noite do Grammy Awards 83, em fevereiro deste mesmo ano, dá pra ver aqui.

terça-feira, 24 de março de 2009

Homenagem ao malandro: um meme musical

Este blogue permance em processo de recuperação do tempo perdido enquanto meu PC esteve em greve. Publico agora um meme que foi uma delícia responder, embora realmente não tenha sido a coisa mais fácil do mundo. Duas fofas me enviaram: a Dani (A louca da casa) e a Elen (Last but not least). A proposta é a seguinte:

1- escolher um cantor(a) ou banda de sua preferência;
2- a cada pergunta feita, terá que escolher um título OU trecho de uma música e colocá-lo como resposta;
3-depois aporrinhar mais 7 blogueiros, repassando a árdua tarefa.

Claro que escolhi responder com trechos, né?! E claro que o ser musical dominante em minha cabeça já há muito tempo é Francisco de Hollanda Buarque, o malandro maior, o rei do "eu feminino", o dono de meus pensamentos musicais, o inigualável Chico Buarque. Aí vão as repostas:

1-És homem ou mulher?
Sou Ana do dique e das docas
Da compra, da venda, das trocas de pernas
Dos braços, das bocas, do lixo, dos bichos, das fichas
Sou Ana das loucas
Até amanhã
Sou Ana
Da cama, da cana, fulana, sacana
Sou Ana de Amsterdam [Ana de Amsterdan]

2-Descreve-te
Você era a mais bonita das cabrochas dessa ala
Você era a favorita onde eu era mestre-sala [Quem te viu, quem te vê]

3-O que as pessoas acham de ti?
Essa moça tá diferente
Já não me conhece mais
Está pra lá de pra frente
Está me passando pra trás
Essa moça tá decidida
A se supermodernizar
Ela só samba escondida
Pra ninguém reparar [Essa moça tá diferente]

4-Como descreves teu atual relacionamento?
O nosso amor é tão bom
O horário é que nunca combina
Eu sou funcionário
Ela é dançarina
Quando pego o ponto
Ela termina [Ela é dançarina]

5-Descreva o momento atual de tua relação
Com açúcar, com afeto, fiz seu doce predileto
Pra você parar em casa, qual o quê! (...)
Quando a noite enfim lhe cansa, você vem feito criança
Pra chorar o meu perdão, qual o quê!
Diz pra eu não ficar sentida, diz que vai mudar de vida
Pra agradar meu coração
E ao lhe ver assim cansado, maltrapilho e maltratado
Ainda quis me aborrecer? Qual o quê!
Logo vou esquentar seu prato, dou um beijo em seu retrato
E abro os meus braços pra você. [Com açúcar, com afeto]

6-Onde querias estar agora?
Mangueira
Estou aqui na plataforma
Da Estação Primeira
O Morro veio me chamar
De terno branco e chapéu de palha
Vou me apresentar à minha nova parceira
Já mandei subir o piano pra Mangueira [Piano na Mangueira]

7-O que pensas a respeito do amor?
O que será que me dá
Que me bole por dentro, será que me dá
Que brota à flor da pele, será que me dá
E que me sobe às faces e me faz corar
E que me salta aos olhos a me atraiçoar
E que me aperta o peito e me faz confessar
O que não tem mais jeito de dissimular
E que nem é direito ninguém recusar
E que me faz mendigo, me faz suplicar
O que não tem medida, nem nunca terá
O que não tem remédio, nem nunca terá
O que não tem receita [O que será (À flor da pele)]

8-Como é tua vida?
Vida, minha vida
Olha o que é que eu fiz
Deixei a fatia
Mais doce da vida
Na mesa dos homens
De vida vazia
Mas, vida, ali
Quem sabe, eu fui feliz [Vida]

9-O que pedirias se pudesses ter só um desejo?
O meu amor tem um jeito manso que é só seu
Que me deixa maluca, quando me roça a nuca
E quase me machuca com a barba mal feita
E de pousar as coxas entre as minhas coxas
Quando ele se deita [O meu amor]

10 - Escreva uma frase sábia
Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios
No ar [Futuros Amantes]

Para encerrar esta humilde homenagem ao malandro, deixo o link de um vídeo da música O meu amor, interpretada por Marieta Seevero e Elba Ramalho na peça teatral A Ópera do Malandro, escrita por Chico Buarque.


Repasso este meme para Renata, d'O mundo na Luneta, para Paty, do Blueberry Lover [ela, que adora música!], para a querida Madrasta Má, para Bia, do Eu não Consigo Odiar Ninguém e para a linda Nina, do Entre Mãe e Filha.

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Deixo também mais um selo da nossa próxima Blogagem Coletiva - O filme da minha vida, a ser realizada nos dias 29 e 30 de abril.


Passa pra ler!

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Jesus! Que Luz!

As últimas notícias da mídia internacional de celebridades só dão conta da rainha do pop, Madonna, aquela que estrelou o quentíssimo "Erotic", publicou "Sex", cantou aos sussurros "Justify my love" e chocou o mundo no início da década de 90 ao admitir gostar de meninos e meninas.
Mas, aos cinqüenta anos, Madonna encontrou Jesus e o caminho da Luz!
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É perfeitamente compreensível o fato de Jesus Luz, modelo brasileiro que está enlouquecendo a rainha do pop, ter cegado completamente a loira. Nas primeira fotos publicadas do ensaio produzido para a revista "W", aqui no Brasil, dá pra ver a cara embabascada que Madonna não consegue disfarçar ao olhar o garotinho. E que garotinho...
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sábado, 23 de agosto de 2008

Licença Olímpica

Andam dizendo por aí, que nos Jogos Olímpicos de Pequim, as mulheres tiveram supremacia nas competições - pelo menos no que tange ao Brasil. Houve brasileira medalhando no judô, medalhando na vela, medalhando no taekwondo, medalhando bem no futebol e melhor ainda no atletismo e no vôlei.

E hoje os resultados confirmaram a boataria: o vôlei feminino levou medalha de ouro e no taekwondo, uma mocinha levou o bronze (medalha histórica). Um dia feminino.

O power girl exacerbado deste sábado até me lembrou um grande achado da internet nesses últimos dias: num game online engraçadíssimo - o Escape From Rehab - a nossa sempre querida, embora louca, Amy Winehouse tenta fugir da reabilitação e, de quebra, libertar o amado Blake Fielder-Civil da prisão. No caminho, iminigos estranhos tentam atrapalhá-la, mas a diva conta com o auxílio luxuoso de seringas envenenadas, cachimbos de crack e garrafas de uísque para se defender. Hilário.
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O game faz parte da estratégia de divulgação do filme Disaster Movie, que tem estréia mundial marcada para o próximo dia 29. (É mais um daqueles besteróis americanos que parodiam os filmes e as personalidades mais badaladas da temporada, incluindo a pobre Amy Winehouse).

P.S. Winehouse não é nenhuma atleta, mas seria uma conquista olímpica se ela conseguisse tirar o marido da prisão!

quinta-feira, 6 de março de 2008

"Músicas para OUVIR depois de um pé na bunda" e "Músicas para NÃO OUVIR depois de um pé na bunda"

Da série Top 5...

Há umas duas semanas estive quebrando o galho de um amigo que viveu uma desilusão amorosa e passei uns dois dias atacando de conselheira sentimental. Em meio às conversas entrecortadas por choros convulsivos e frases tipo “a minha vontade é só morrer”, surgiu em mim uma modesta tentativa de içar aquele ego que andava lá pelo fundo do poço: acabei imaginando um top five de músicas que NÃO se deve ouvir depois de levar um fora ou um pé na bunda. Mas, como diria o Inagaki, tergiverso. E por falar no japa, ele escreveu um texto que me lembrou bastante o coração partido de meu amigo. Ah! O tratamento para desilusões amorosas também inclui uma lista de músicas que se deve ouvir para melhorar o ego e a auto-estima. Enfim.

Top 5 músicas para OUVIR depois de um pé na bunda

1 - Apesar de você, de Chico Buarque a inspiração do Divino Chico para essa música foi um triste momento político do país. Mas tristeza por tristeza, ela pode virar um anestésico para corações partidos se a repetirmos muitas vezes, especialmente aqueles versos lá do finalzinho... (“Apesar de você amanhã há de ser outro dia / Você vai se dar mal, etc e tal / lá-lá-lá-lá-lái-á...”)

2 - I can see clearly now, de Jimmy Cliff – além dessa música dar uma vontade danada de dançar, os versos podem ser muito encorajadores para um coração partido ("I Can see clearly now the rain is gone / I can see all obstacles in my way / Gone are dark clouds that had me blind / It's gonna be a brigth / bright sunshiny day...")

3 - I will survive, de Gloria Gaynoro hit pode até ter virado Hino Gay depois de filmes como “Será que ele é” e “Priscilla, a Rainha do Deserto”, mas a verdade é que essa música é um corolário aos que sobreviveram a qualquer decepção amorosa, enumerando todas as fases vividas após um abandono, desde o medo, a insistência em se machucar, o renascimento e um reencontro triunfante com o "ex" em que já se pode esnobá-lo bastante (Oh now go / Walk on the door / Just turn around now / You're not welcome anymore / Weren't you the one / Who tried to break me with desire? / Did you Think I'd crumble / Did you think I'd lay down and die? Oh not I / I will survive...")

4 - Do lado de dentro, Los Hermanos – os hermanos também fizeram uma música bem tristinha e cheia de rancor, falando de castelos e universos românticos, mas depois o coração partido dá uma reviravolta e mostra que é macho o bastante para dar a volta por cima ("Que é pra esquecer de uma só vez / que esse castelo só me prendeu, viu? / Mas hoje o universo se expandiu / E aqui de dentro a porta se abriu...")

5 - 21 Things That I Want In a Lover, Alanis Morrissete – aqui, depois de partirem seu coração, a canadense faz questão de simplesmente espicaçar qualquer pretendente seu, deixando bem claro todas as 21 coisas que espera que um amante tenha e se não tiver, meu bem, caia fora! E pressa para encontrar outro é uma coisa que ela não tem ( “I'm in no hurry i could wait 4ever / I'm in no rush cause i like being solo...”)

Top 5 músicas para NÃO OUVIR depois de um pé na bunda

1 - Atrás da porta, Elis Regina - Muito triste essa música! Ouvi-la só dá vontade de cortar os pulsos. Não ouça em hipótese alguma. Olha só os versos iniciais: “Quando olhaste bem nos olhos meus / E o teu olhar era de adeus / Juro que não acreditei, eu te estranhei / Me debrucei sobre teu corpo e duvidei / E me arrastei e te arranhei / E me agarrei nos teu cabelos...” Credo!

2 – Suedehead, Morrissey – o Morrissey é o rei da fossa! Pensar nele já dá uma dor no coração. As batidas das músicas dele são todas iguais e igualmente tristes. Lembra um dia cinzento em Londres (como na foto ao lado - a cara do Morrissey!). I'm so sorry / Why do you come here / When you know it makes things hard for me?...

3 – Angie, Rolling Stones – triste, muito triste. A letra é um convite à desistência de qualquer coisa. (“With no loving in our souls and no money in our coats / You can't say we're satisfied”…)

4 - King of Pain, The Police – retrata bem uma alma completamente despedaçada... E como o Sting sempre foi um tanto “ecológico”, as tristezas da letra são meio associadas a desastres do meio ambiente, como numa parte em que ele fala que se sente como “uma baleia azul encalhada na maré de primavera”, hehehe... E decreta em um certo ponto da música “But it's my destiny to be the king of pain…”

5 - Pedaço de Mim, Chico Buarque canta com Zizi Possi – Essa música é praticamente uma chamada ao suicídio. Mas não, não escute. Não escute, não escute. Mas a letra é linda. ("Oh, pedaço de mim / Oh, metade afastada de mim / Leva o teu olhar / Que a saudade é o pior tormento / É pior do que o esquecimento / É pior do que se entrevar...”)

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

É Peixe! ou O que tem de bom na Rede - parte 6


Essa dica aqui vai para quem anda dormindo fora da geladeira e acabou azedo por esses dias... O site Sleeveface tira o mau humor de qualquer pseudointelectual que consegue se divertir com bobagens ingênuas.

A proposta é a seguinte: a página convida o internauta a posar para fotos, criando "corpos" para rostos em capas de disco de vinil. Depois, pode mandar a foto para o site que os administradores se encarregam de publicá-los em sites como o Flickr. Olha só umas arrumações dos internautas. O primeiro, com um álbum do Bob Marley; o outro com um vinil do James Taylor:




No Youtube eles publicaram o vídeo-manual "como fazer seu sleeveface". Pura diversão.



A idéia partiu de um locutor de rádio de Cardiff, no País de Gales e acabou atraindo a atenção de colecionadores de vinil em várias partes do mundo: eles já receberam contribuições de adeptos nos Estados Unidos, França, Alemanha, Japão, Rússia, Islândia, Israel e no Reino Unido. O idealizador também conta que algumas lojas especializadas em vinil entraram em contato dizendo que clientes estavam tirando fotos com capas de discos dentro das lojas.

De acordo com a Folha Online, uma grande loja em Londres está interessada em fazer uma exposição somente com Sleevefaces e uma editora americana já está preparando um livro, somente com fotos do movimento.

Não quer experimentar? Só para ver se melhora o humor...


quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Rainha do escândalo, mas cheia de talento

A inglesa Amy Winehouse, uma das novas estrelas da música no cenário internacional, tem mostrado por aí que desgraça pouca é bobagem e andou louca como quase nehuma celebridade teve coragem de ousar. Numa sucessão de escândalos e micos públicos, sua presença constante na mídia passou a ser, no mínimo, exaustiva. Superexposição à parte, convenhamos: Amy canta muito! E não foi à toa que abocanhou cinco dos seis prêmios a que foi indicada pelo Grammy Awards. Mas vamos aos fatos.

Sua primeira loucura foi a fixação por emagrecer e tentar se encaixar nos padrões estéticos vigentes, esbarrando numa violenta bulimia. A saudável mistura de ecstasy, cocaína, remédio para cavalo, vodca, uísque e, mais recentemente, o uso de crack, também fizeram um bem danado à moça, que passou de gostosona a cadáver ambulante em apenas dois anos.
Entre tantos despautérios, o pior deles é a ostentação da vida desregrada que leva - isso ficou evidente após o lançamento do álbum que levou os cinco Grammy, o Back to Black, em que canta meigas e delicadas canções como "You know I'm no good" (algo como você sabe que eu não presto) e se recusa a ir para uma clínica de reabilitação em "Rehab". Aliás, essa foi a música do ano, segundo o júri do Grammy. (Ok, ok, a música é boa mesmo! Veja o clipe aqui.)
A mocinha justificou a aversão ao tratamento clínico afirmando que teria condições de tomar as rédeas de sua vida por conta própria sem ter que depender de programas médicos para isso.“Tenho amigos que se internaram e se recuperaram e conheço outras pessoas que vivem entrando e saindo sem conseguir nenhum resultado positivo”, ela disse à Ok Magazine.

Mas ao contrário do que pensava, a pobre não consegue nada por conta própria, a não ser piorar sua situação. E numa rapidez incrível! Logo após casar-se com o músico Blake Fielder-Civil, Amy foi internada pelo marido numa clínica por causa de uma overdose. Dois dias depois, o casal protagonizou uma briga pública que desencadeou uma temporada de escândalos de grande proporção. Foi flagrada com um pó branco no nariz e perdeu dentes pelo abuso de drogas. O pai da garota declarou a jornais ingleses que queria que o marido da filha fosse preso, esperando que isso facilitasse um tratamento anti-drogas para Amy. Os anjos disseram amém e Blake acabou detido, acusado de promover um quebra-quebra num pub inglês em 2006. O músico está preso desde novembro passado e sua detenção teve um reflexo negativo na frágil condição psicológica da moça, que foi encontrada quase nua, chorando pelas ruas frias do inverno londrino no mês passado. O nível de drogas atingiu picos altíssimos - foi após a prisão do marido que ela foi flagrada fumando crack. A auto-destruição está tão evidente que a última homenagem feita a ela na internet convida o internauta a adivinhar o dia em que Amy vai morrer: é o When will Amy Winehouse die? Quem acertar a data ganha um iPod Touch, novo brinquedo da Apple para apaixonados por informática. O site também publica várias fotos do fracasso da cantora.
Depois de tantos escândalos, a boa notícia é que finalmente a mocinha se dobrou às pressões da família, amigos e fãs e aceitou a internação numa clínica de reabilitação, onde está desde o fim de janeiro. Mas isso não bastou para que a embaixada dos Estados Unidos na Inglaterra desse a ela o visto de entrada no país, que foi obrigada a participar da cerimônia do Grammy via satélite - ainda assim ela foi premiada. A consagrada cantora Natalie Cole, uma das artistas que anunciaram as premiações de Amy no Grammy, declarou que a inglesa não merecia levar tantos prêmios por parecer um mau exemplo do show bizz.
O próximo capítulo da novela Amy Winehouse deve mostrar se a tão recusada e esperada reabilitação da cantora vai servir para alguma coisa. É esperar para ver.


segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Ressaca de Carnaval

O meu carnaval foi só trabalho! Não tive descanso nem no fim de semana, quando tive que cobrir a primeira micareta do ano no Brasil, um negócio chamado Lava-Pratos! Mas nem por isso vou deixar de falar dessa festa sem tamanho e totalmente sem noção que se faz no país. Nada de críticas... só observações.

Na Bahia, a Rainha do Axé ousou nos modelitos... Foi um mais quente que o outro. Quem deve ter gostado mesmo foram os foliões. As foliãs, quem sabe...


Além desses, foram mais quatro modelos!
Um para cada dia do carnaval baiano...


Extravagâncias à parte, pelo menos a baiana soube esconder o que as famosas do carnaval carioca não conseguiram deixar de mostrar. Que o diga a modelo Viviane de Castro, que usou um suposto tapa-sexo. Suposto porque estou apenas supondo que ele esteja aí, mas não estou vendo nada! :D


Mas cadê o tapa-sexo?


Aliás, a São Clemente, escola de samba pela qual a gostosa saiu mostrando tudo, foi punida pela ousadia: perdeu meio ponto e acabou sendo rebaixada para o segundo grupo do carnaval carioca. Que se há de fazer...?

Quero parabenizar o bom gosto das "celebridades" Natália Guimarães, a miss Brasil da vez; a globífera (como diria o Ricardo Ooops! Feltrin) Grazi Massafera; a sempre elegante ex-modelo Luíza Brunet; e a polêmica, mas chique Adriane Galisteu, pela beleza das fantasias que sustentaram no carnaval deste ano, sem os arroubos sexuais tão comuns aos "famosos" nesta época do ano.

No ano que vem tem mais! (E eu não quero estar trabalhando...)


sábado, 10 de novembro de 2007

É peixe! ou O que tem de bom na Rede - parte 1


Este é peixe dos grandes! E não é história de pescador...

Escrevo este ensaio enquanto escuto o "inominável" álbum que oficializou a Tropicália na História da Música Brasileira e que acabei de baixar da Rede através do delicioso Um Que Tenha, um dos blogs mais fundamentais para quem gosta de educar os ouvidos enquanto passeia pela internet - e nem precisa estar navegando para escutar as músicas que você encontra aqui: dá para baixar álbuns inteiros. Mas não se trata de apologia ou mesmo apoio a pirataria e coisas do tipo: o grande lance é que aqui vale à pena que qualquer um tenha e possa compartilhar de pérolas como Tropicália ou Panis et Circenses.
Camuflado atrás do pseudônimo Fulano Sicrano, um benfeitor disponibiliza download de mais de 900 artistas através de cerca de 2600 álbuns, sendo que, pelo menos 80% desses discos, são absolutamente difíceis e complicadíssimos de encontrar em qualquer prateleira obscura de uma boa loja de raridades. Lá é possível garimpar 40 álbuns de Tom Jobin, até 3 do super-cult Sérgio Sampaio, 9 do Nelson Gonçalves e até mais de um álbum do dificílimo Nelson Sargento! Estão lá também o Chico [Buarque], a Bethânia e seu ilustríssimo irmão, Jorge Mautner e alguns fundamentais americanos, como Ella Fitzgerald, Coleman Hawkins e Chet Baker, além de representantes de peso do popular-brega, como Valdick Soriano e Cauby Peixoto.
Conheci esse peixe grande através de meu amigo Gil Brandão, tentando me tirar de um sábado de puro tédio, desses que acontecem de vez em quando.

O álbum - Lançado em 1968, Tropicália ou Panis et Circenses funcionou como manifesto oficial de um dos movimentos musicais mais criativos e inventivos que este país já viu e ouviu. Rogério Duprat orquestrou com maestria a louca sonoridade do disco, que reuniu Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Os Mutantes, Nara Leão, Tom Zé e Torquato Neto. Entre suas 12 canções, algumas chegaram ao status de hino do movimento, como a própria Panis et Circenses, Geléia Geral, Baby e a incrível Bat Macumba. Aliás... incrível mesmo é o álbum inteiro. (E por falar nisso, a Tropicália está completando 40 anos... Não deixe de conhecer mais sobre o movimento.) Agora vai lá baixar! Antes disso, explore logo o disco por aqui, faixa por faixa:

1 - Misere Nobis
Interpretação: Gilberto Gil
A letra é uma referência direta àqueles hinos em latim, muito entoados nos cultos católicos nos idos dos anos 60 (até a Igreja do Papa achar que valia à pena os fiéis brasileiros entenderem o que tanto se falava nas missas).

2 - Coração materno
Interpretação: Caetano Veloso
Faixa intrigante, meio épica e emocionante. A produção musical nela incluiu até tiros de canhão!

3 - Panis et circenses
Interpretação: Mutantes
Candidata a hino do movimento, a faixa que empresta seu nome ao título [ou subtítulo] do disco foi diretamente influenciada pelo famigerado Sgt. Pepper´s Lonely Hearts Club Band, dos Beatles, um dos discos mais importantes de todos os tempos, muito pelas suas invencionices musicais. Aqui a produção musical arrumou a simulação de um jantar ao vivo, já que as pessoas estão na sala de jantar.

4 - Lindonéia
Interpretação: Nara Leão
Delícia de faixa, um bolero nada convencional, até meio pessimista, falando de cachorros mortos na rua e coisas do tipo... Reza a lenda que a letra foi inspirada num quadro do artista plástico Rubens Gershman e feita pelo Caetano a pedido da própria Nara Leão.

5 - Parque industrial
Interpretação: Caetano Veloso / Gal Costa / Gilberto Gil / Mutantes
O pesquisador da História da MPB, Luiz Américo Lisboa, ligou o título dessa música ao título de um livro de Patrícia Galvão, a famosa Pagu dos anos 20. "Porque é made in Brazil".

6 - Geléia geral
Interpretação: Gilberto Gil
Canção mais panfletária do disco, destacando o regionalismo exacerbado da cultura brasileira. Uma pérola muito inspirada... Mais uma referência ao disco dos Beatles, incluindo sons de rua em sua produção.

7 - Baby
Interpretação: Caetano Veloso / Gal Costa
Aquela doçura que é a Gal cantando essa música... Mais uma faixa inegavelmente tropicalista.

8 - Três Caravelas (Las tres carabelas)
Interpretação: Caetano Veloso / Gilberto Gil
Um ensaio de bebop que vira uma rumba cubana; faixa muito agradável, contando de maneira irreverente a chegada dos descobridores da América ao novo continente.

9 - Enquanto seu lobo não vem
Interpretação: Caetano Veloso
A mim parece a primeira declaração de amor pública que o Caetano fez à Estação Primeira de Mangueira...

10 - Mamãe coragem
Interpretação: Gal Costa
Interpretação primorosa da Gal, com letra de uma graça encantadora. Muito a cara do Torquato.

11 - Bat macumba
Interpretação: Gilberto Gil
A letra lembra mais um desses poemas concretos que foi musicado. Mas o resultado é ótimo!

12 - Hino ao Senhor do Bonfim
Interpretação: Caetano Veloso / Gal Costa / Gilberto Gil / Mutantes
Não poderia terminar melhor: todo mundo celebrando o Brasil numa paródia muito louca das bandas de coreto do interior (referência ao militarismo dominante da época) falando de justiça, concórdia e até graça divina!

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