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quarta-feira, 6 de maio de 2009

Lei de Murphy: o retorno

Hoje tive um dia de trabalho totalmente cheio e um pouco desastroso: tinha que fazer um monte de coisas no escritório, mas apareceu um compromisso externo totalmente inadiável - o presidente Lula "visitou" São Luís por conta de compromissos políticos relacionados às enchentes que castigam o nordeste - inclusive o Maranhão - e eu tive que ir para lá, acompanhar meu chefe e fazer uma "pequena" matéria sobre o acontecimento.

Eu precisava voltar para o escritório, meu tempo era escasso, mas imaginei que nada sairia errado: se o presidente chegasse às 14h15, como estava previsto, daria para voltar antes das 16h, fazer tudo o que estava faltando no trabalho, redigiria a matéria e ainda daria tempo de dar uns beijos no bofe! Hahahahaha... Ledo engano. Esqueci que a Lei de Murphy existe e que ela não deixa de aparecer nos piores momentos da vida: passei nada menos que cinco horas no aeroporto! Esperando o presidente! Todos os meus planos foram por água abaixo, inclusive os beijos que eu estava louca para dar no boy! Enfim.

Em homenagem a todos esses "maravilhosos" acontecimentos, vou republicar um texto que escrevi uns tempos atrás aqui neste blog. Para eu não esquecer que a Lei de Murphy existe!

Porque a Lei de Murphy existe: dez filmes que comprovam a teoria


1 - Adeus, Lênin! de Wolfgang Becker (2003) – A mãe de Alex, ferrenha defensora do comunismo da ex-Alemanha Oriental acorda de um coma de 15 anos no momento em que as duas Alemanhas se unificam. É dada a largada para uma corrida do filho contra os fatos, na tentativa de deixar o mundo exatamente como sua mãe gostava antes da longa dormida. Cenas engraçadas e até melancólicas compõem essa luta, mas Alex não pode fazer nada quando leva a mãe para passear no parque e estão levando embora a estátua de Lênin rebocada num helicóptero bem ali, na cara dos dois! Sem remédio... Adeus, Lênin.


Lênin indo embora


2 - 21 gramas, de Alejandro Gonzalez-Iñarritu (2003) – Um acidente de carro altera a tênue felicidade de três famílias. O atropelador sente muita culpa; a ex-drogada, mãe da família morta, fica arrasada e disposta a voltar ao consolo químico; e um professor de matemática recebe um coração novo no lugar do seu defeituoso. Antes disso, diante da morte iminente do marido, Mary, numa inacreditável tentativa de provar o amor que sente pelo professor de matemática, decide engravidar através de inseminação artificial. Mas apareceu um coração novo e o amor antigo morre. Mary fica a ver navios. Cruel.


3 - Jackie Brown, de Quentin Tarantino (1997) – A comissária de bordo de uma companhia aérea obscura transporta dinheiro ilegal para o traficante de armas Ordell, que já está na mira dos federais. Quando Jackie é presa e obrigada a colaborar com a polícia, entra em cena Max, o agente de condicional que precisa ficar de olho nela 24 horas por dia. Mas Max se apaixona perdidamente por Jackie... Porque o amor pode ser doloroso. E até doloso!


4 - Fale com ela, de Pedro Almodóvar (2002) – Depois de sermos apresentados aos dramas pessoais de Benigno, Alícia, Marcos e Lydia, numa rotina de hospitais, cuidados e mulheres sem palavras, conhecemos situações ocultas que culminaram na circunstância atual: o amor de Benigno por Alícia, primeiro numa aula de balé através da janela de seu apartamento, depois na rotina hospitalar. Mas antes disso, no dia em que Benigno decide abrir seu sentimento para Alícia, ela sofre o acidente que a deixa em coma – e para sempre ignorante do amor do enfermeiro por ela. Porque a lei de Murphy existe.


5 - O Lenhador, de Nicole Kassell (2004) – Walter é um homem de meia-idade que passou 12 anos na cadeia cumprindo pena por pedofilia. Quando é libertado, através de uma condicional por bom comportamento, naturalmente é rejeitado pela vizinhança e até por sua família. Mas a tensão maior começa ao perceber que o apartamento onde vai passar seus dias fica em frente a uma escola elementar cheia de menininhas pré-púberes, o fraco do pedófilo em questão. Porque as coisas sempre podem ser piores do que se espera.


6 - E sua mãe também, de Alfonso Cuarón (2001) – Julio e Tenoch são dois típicos adolescentes que só pensam em sexo e aventura. A chance de unir essa perfeita combinação surge quando Luisa, a prima trintona de Tenoch recém-separada e que acabou de chegar da Espanha, propõe uma viagem a três, na busca da perdida praia Boca del Cielo. No caminho, paisagens deslumbrantes, menos sexo do que eles imaginaram e mais paixão do que previram. Num acerto de contas final, quando os dois se percebem apaixonados e rivais no amor pela balzaquiana que enfrenta um câncer terminal, os podres sexuais vêm à tona e cada um se vangloria por ter “passado o rodo” na namorada do outro. Diante da passividade de Julio, Tenoch, na última tentativa de atingir o amigo revela teatralmente: “Y tu mamá también!”. Não confie nem no seu melhor amigo...


7 - Garotos Incríveis, de Curtis Hanson (2000) – o filme, baseado no imperdível livro homônimo de Michael Chabon, é uma sucessão intermitente de fatos que comprovam e atestam que a Lei de Murphy existe. Em um único final de semana – em que ele, inclusive, precisa dar uma palestra sobre literatura – o professor e escritor Graddy Tripp é abandonado pela esposa, descobre que sua amante (esposa do seu chefe) espera um filho seu, precisa entregar os originais de um novo livro para seu editor (mas está inacabado), além de conseguir matar o cachorro do chefe e tentar equilibrar a cabeça desequilibrada de seu melhor aluno. E do livro inacabado sobram apenas algumas folhas, depois de perder mais da metade numa ventania inesperada. Fantástico, fantástico.


8 - A professora de Piano, de Michael Haneke (2001) – o jovem aluno da professora de piano do título se vê perdidamente apaixonado pela mestra e toma a decisão de não medir conseqüências para conquistá-la (como todo jovem faria). A professora, muito austera e dona de uma personalidade insensível (até pela criação que a mãe ditadora deu a ela), recusa terminantemente as investidas do aprendiz. Mas ele não desiste. E quando finalmente ele consegue quebrar o coração de gelo da pianista, percebe que ela é tão durona, contida (e até maluca), que esse romance vai deixá-lo muito, muito desapontado. O amor, esse ser insensível.


9 - Os infiltrados, de Martin Scorcese (2006) – Sullivan é um afilhado da máfia infiltrado na polícia. Billy é um ex-policial infiltrado na máfia. Os destinos dos dois personagens se opõem milimetricamente (até na mulher que dividem na cama), numa guerra de nervos e cuidados para identificar quem é “bom” e quem é “mau” – dependendo do lado em que está infiltrado. Num acerto de contas inesperado em que algumas verdades são reveladas, o mocinho leva um balaço na cabeça. Pungente.


10 - Pecados Íntimos, de Todd Field (2006) – Sarah é uma jovem dona de casa inteligente demais para a vida típica dos subúrbios americanos. Brad é o belo pai que troca de função com a esposa (ela é quem sustenta a casa) e vive na mesma frustração de Sarah. Quando os passeios no parquinho com os filhos viram desculpa para os encontros sexuais dos dois, eles passam a vislumbrar uma saída para essa vida enfadonha e planejam uma fuga. No dia da tal fuga, Brad sofre um acidente e Sarah fica sem entender porque o amante não apareceu. Porque se houver uma chance das coisas darem errado, elas darão errado.


Sarah, Brad e as crianças

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A Lei de Murphy – criada pelo engenheiro aeronáutico americano Edward Murphy, ele foi a primeira vítima conhecida de sua teoria. Ele era um dos engenheiros envolvidos nos testes sobre os efeitos da desaceleração rápida em piloto de aeronaves. Para fazer tal medição, construiu um equipamento que registrava os batimentos cardíacos e a respiração dos pilotos, isso por volta de 1949. O aparelho foi instalado por um técnico, mas simplesmente ocorreu uma pane; com isso Murphy foi chamado para consertar o equipamento e descobriu que o técnico instalou tudo errado. Daí formulou a sua lei que dizia: “Se alguma coisa tem a mais remota chance de dar errado, certamente dará”. Eu gosto mais da versão posterior, um pouco mais trabalhada, - e definitiva - que diz: “Se alguma coisa pode dar errado, dará. E mais: dará errado da pior maneira, no pior momento e de modo que cause o maior dano possível”.


domingo, 23 de março de 2008

Arthur C. Clarke e o melhor da Ficção Científica no Cinema

Da série Top 5

A triste notícia sobre a morte de Arthur C. Clarke, divulgada esta semana, inspirou esse post, que tenta organizar uma lista com os melhores filmes de ficção científica na minha modesta opinião. Que fique claro que não tenho loucura pelo gênero, portanto, é natural que escape um ou outro filme considerado fundamental para qualquer tentativa de classificação dos filmes sci-fi.

1 - 2001: uma odisséia no espaço, de Stanley Kubrick. O filme, produzido em 1968, é um clássico absoluto. Baseado no conto "A Sentinela", de Arthur C. Clarke, foi o primeiro grande filme a falar do domínio das máquinas sobre os homens, fazendo uma reflexão sobre a evolução humana. Na história, uma equipe de astronautas navega pelo espaço, rumo ao planeta Júpiter, a bordo da nave Discovery, totalmente controlada pelo computador Hal 9000. No meio da viagem, uma pane no sistema de navegação faz o supercomputador ter vida própria, e o medo de ser desligado o torna uma terrível ameaça à vida dos tripulantes.


2 - Blade Runner - O Caçador de Andróides, de Ridley Scott. Já um cult por excelência, lançado em 1982, é um dos filmes que mais marcaram meu imaginário infantil sobre um futuro cheio de terríveis invenções. Na história, um grupo de andróides assassinos muito mais fortes que os humanos - os chamados replicantes - é caçado na terra por um ex-blade runner (o esquadrão da polícia especializado em "aposentar" andróides) vivido por Harrison Ford. O clima noir da produção e a história toda é muito doida, mas totalmente demais! Tudo o que o grupo de replicantes quer é encontrar seu criador, para que ele lhes dê mais alguns anos de vida - eles são fabricados para morrer após quatro anos de "existência". O problema é que os replicantes têm um emocional muito instável...

3 - Matrix, dos Irmãos Wachowski. O primeiro filme da trilogia, de 1999, tem uma história fantástica e totalmente inserida no novo contexto das realidades virtuais vividas por nós, ávidos usuários da tecnologia. No distante futuro do ano 2200, vivemos num mundo onde as máquinas controlam a vida dos homens por meio da Matrix, um sistema artificial de simulação da realidade que usa os organismos dos seres humanos para produzir energia. Mas um grupo de humanos livres, vivendo nas profundezas da Terra não se conforma com isso e parte para a briga contra o sistema, em mais um filme de ficção científica com o embate homem versus máquina.

4 - E.T. - O Extraterrestre, de Steven Spielberg. Cheio de imagens que podem ser consideradas ícones do cinema (como a usada no cartaz ou aquela em que uma luz se acende na ponta do dedo do ET), é daqueles filmes meio arrebatadores para as crianças. E eu assisti justamente quando era criança... Em uma visita de exploração pela Terra, um ET é esquecido pela nave espacial em que viajava e logo é encontrado pelo menino Elliot, que vira seu amigo, protegendo-o de todas as maneiras para que não seja estudado como cobaia extraterrestre pelo serviço secreto americano. As capacidades telecinéticas do ET e o dom de voar dão o toque mágico necessário para fazer dos ET's seres completamente confiáveis (pelo menos para mim).


5 - Laranja Mecânica , de Stanley Kubrick. Numa Londres de um futuro não especificado, uma gangue de delinqüentes liderada por Alex, aterroriza a cidade com atos de ultraviolência - incluindo aqui agressão a mendigos, estupros e invasões a residências - sempre ao som de música erudita (Beethoven, de preferência). Mas o líder do grupo é preso e submetido a um tratamento experimental de reabilitação cruel, que o deixa completamente indefeso contra a violência cotidiana do mundo normal. Um clássico.
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Esta é uma listgem pessoal. Mas não é que ficou um tanto parecida com outras listas oficiais por aí? Confira outras aqui e aqui.

A morte de Clarke - Arthur C. Clarke morreu na última quarta-feita, dia 19, aos 90 anos de idade, na cidade de Colombo, Sri Lanka. Fã ativo da ficção científica, escritor e divulgador científico, Clarke morreu mantendo os olhos no futuro. Não foi à toa que em dezembro do ano passado, tornou público três desejos em que acreditava ardentemente: que o mundo deixasse sua dependência do petróleo, que a paz no Sri Lanka fosse estabelecida e que finalmente os ETs fizessem algum contato com a Terra.

quinta-feira, 6 de março de 2008

"Músicas para OUVIR depois de um pé na bunda" e "Músicas para NÃO OUVIR depois de um pé na bunda"

Da série Top 5...

Há umas duas semanas estive quebrando o galho de um amigo que viveu uma desilusão amorosa e passei uns dois dias atacando de conselheira sentimental. Em meio às conversas entrecortadas por choros convulsivos e frases tipo “a minha vontade é só morrer”, surgiu em mim uma modesta tentativa de içar aquele ego que andava lá pelo fundo do poço: acabei imaginando um top five de músicas que NÃO se deve ouvir depois de levar um fora ou um pé na bunda. Mas, como diria o Inagaki, tergiverso. E por falar no japa, ele escreveu um texto que me lembrou bastante o coração partido de meu amigo. Ah! O tratamento para desilusões amorosas também inclui uma lista de músicas que se deve ouvir para melhorar o ego e a auto-estima. Enfim.

Top 5 músicas para OUVIR depois de um pé na bunda

1 - Apesar de você, de Chico Buarque a inspiração do Divino Chico para essa música foi um triste momento político do país. Mas tristeza por tristeza, ela pode virar um anestésico para corações partidos se a repetirmos muitas vezes, especialmente aqueles versos lá do finalzinho... (“Apesar de você amanhã há de ser outro dia / Você vai se dar mal, etc e tal / lá-lá-lá-lá-lái-á...”)

2 - I can see clearly now, de Jimmy Cliff – além dessa música dar uma vontade danada de dançar, os versos podem ser muito encorajadores para um coração partido ("I Can see clearly now the rain is gone / I can see all obstacles in my way / Gone are dark clouds that had me blind / It's gonna be a brigth / bright sunshiny day...")

3 - I will survive, de Gloria Gaynoro hit pode até ter virado Hino Gay depois de filmes como “Será que ele é” e “Priscilla, a Rainha do Deserto”, mas a verdade é que essa música é um corolário aos que sobreviveram a qualquer decepção amorosa, enumerando todas as fases vividas após um abandono, desde o medo, a insistência em se machucar, o renascimento e um reencontro triunfante com o "ex" em que já se pode esnobá-lo bastante (Oh now go / Walk on the door / Just turn around now / You're not welcome anymore / Weren't you the one / Who tried to break me with desire? / Did you Think I'd crumble / Did you think I'd lay down and die? Oh not I / I will survive...")

4 - Do lado de dentro, Los Hermanos – os hermanos também fizeram uma música bem tristinha e cheia de rancor, falando de castelos e universos românticos, mas depois o coração partido dá uma reviravolta e mostra que é macho o bastante para dar a volta por cima ("Que é pra esquecer de uma só vez / que esse castelo só me prendeu, viu? / Mas hoje o universo se expandiu / E aqui de dentro a porta se abriu...")

5 - 21 Things That I Want In a Lover, Alanis Morrissete – aqui, depois de partirem seu coração, a canadense faz questão de simplesmente espicaçar qualquer pretendente seu, deixando bem claro todas as 21 coisas que espera que um amante tenha e se não tiver, meu bem, caia fora! E pressa para encontrar outro é uma coisa que ela não tem ( “I'm in no hurry i could wait 4ever / I'm in no rush cause i like being solo...”)

Top 5 músicas para NÃO OUVIR depois de um pé na bunda

1 - Atrás da porta, Elis Regina - Muito triste essa música! Ouvi-la só dá vontade de cortar os pulsos. Não ouça em hipótese alguma. Olha só os versos iniciais: “Quando olhaste bem nos olhos meus / E o teu olhar era de adeus / Juro que não acreditei, eu te estranhei / Me debrucei sobre teu corpo e duvidei / E me arrastei e te arranhei / E me agarrei nos teu cabelos...” Credo!

2 – Suedehead, Morrissey – o Morrissey é o rei da fossa! Pensar nele já dá uma dor no coração. As batidas das músicas dele são todas iguais e igualmente tristes. Lembra um dia cinzento em Londres (como na foto ao lado - a cara do Morrissey!). I'm so sorry / Why do you come here / When you know it makes things hard for me?...

3 – Angie, Rolling Stones – triste, muito triste. A letra é um convite à desistência de qualquer coisa. (“With no loving in our souls and no money in our coats / You can't say we're satisfied”…)

4 - King of Pain, The Police – retrata bem uma alma completamente despedaçada... E como o Sting sempre foi um tanto “ecológico”, as tristezas da letra são meio associadas a desastres do meio ambiente, como numa parte em que ele fala que se sente como “uma baleia azul encalhada na maré de primavera”, hehehe... E decreta em um certo ponto da música “But it's my destiny to be the king of pain…”

5 - Pedaço de Mim, Chico Buarque canta com Zizi Possi – Essa música é praticamente uma chamada ao suicídio. Mas não, não escute. Não escute, não escute. Mas a letra é linda. ("Oh, pedaço de mim / Oh, metade afastada de mim / Leva o teu olhar / Que a saudade é o pior tormento / É pior do que o esquecimento / É pior do que se entrevar...”)

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Filme Triste: 10 filmes de partir o coração

Natal, época controversa em que amor e solidariedade parecem tão normais quanto o arroz com feijão de todo dia. Também é tempo em que bate uma deprê e a gente só fica querendo alimentar essa tristezazinha gostosa, enfiado debaixo do cobertor e esperando a chuva lá fora passar. Passei os últimos dias listando um top de filmes tristes para assistir por esses dias nublados e cheguei a uma seleção de partir o coração de qualquer pobre mortal. Após a jornada vai dar para passar uns dias vendo umas comédias-pastelão (as férias são ótimas para isso). Enfim, eis a lista.

1 - As invasões bárbaras, de Denis Arcand (2003) - Remy é um professor universitário que está morrendo de um câncer terminal. Seu filho, Sebastian, especulador de sucesso do mercado financeiro, apesar dos problemas de relacionamento que tem com o pai, não mede conseqüências para dar um pouco de dignidade aos últimos momentos de vida de Remy. Com o dinheiro de filho, ele sai do sofrimento das filas de hospital (Remy se revolta contra isso porque foi à favor da estatização da saúde) e consegue um quarto exclusivo no hospital, dentre tantas outras maravilhas que o "capital" consegue viabilizar. Vendo tantas filosofias esquerdistas se arruinarem junto com sua morte, Remy se entrega a um doce adeus à vida, em meio a amigos queridos, amantes antigas e uma casa de campo à beira de um lago formidável, além das costumeiras doses de heroína para aplacar a dor insuportável. Interessante é observar que Remy chega a uma espécie de redenção ao admitir que tantas coisas em que acreditou tão profundamente são simplesmente dispensáveis. A certa altura, ele e os amigos enumeram os "ismos" em que se engajaram durante sua juventude e passam pelo marxismo, leninismo, maoísmo, trotskismo, entre tantos. "Só faltou o cretinismo", alguém lembra alegremente. Porque os homens passam e talvez as obras fiquem. Filme triste.

2 - Dogville, de Lars von Trier (2003) - No fim das Montanhas Rochosas, em meio à Grande Depressão Americana, Grace chega à pequena cidade de Dogville, onde os moradores têm "pequenos defeitos facilmente perdoáveis", segundo o narrador. Altruísta e otimista , Grace consegue abrigo a título de "troca" por tolos afazeres que não são necessários para a comunidade: todos sempre deixam claro que eles apenas "permitem" que Grace faça tais coisas e ela deve se mostrar muito agradecida pelo imenso favor, num eterno sistema de compensações entre a cidade e a jovem. Quando surge a notícia de que Grace é fugitiva da justiça as coisas pioram: a passividade e permissividade da moça e o abuso, que chega às raias da maldade, da comunidade levam tudo para uma situação insustentável, em que Grace é constantemente estuprada por um dos moradores como forma de "pagamento" por não denunciá-la às autoridades. A partir desse ponto, a constante dívida de Grace com a cidade só cresce e ela passa a ser tratada como escrava da comunidade. Quando tudo caminha para um fim trágico, numa tensão insustentável, o filme acaba numa situação indisgesta, com a nítida sensação de algo engatado na garganta. Porque a natureza humana é cruel mesmo.

3 - Festa de Família, de Thomas Vinterberg (1998) - O aniversário de 60 anos de Helge, pai de quatro filhos - uma delas morta recentemente, por suicídio - é motivo para reunir toda a família numa grande comemoração. Mas a aparente normalidade se mostra apenas superficial, escondendo a real natureza dos relacionamentos de família. Tudo se apresenta ainda no início do filme, quando conhecemos dois dos irmãos - o mais velho e mais bem sucedido, Christian e o mais novo e problemático, Michael. De cara, a irmã do meio, Helene, sofre com o preconceito de seus familiares contra seu namorado negro. A história toma rumos perigosos quando Christian, o irmão gêmeo que sobrou após o suicídio de Linda, é convidado a dizer algumas palavras em memória da irmã morta. Ele não só atende ao pedido da família, como também acaba por revelar que sofreu abuso sexual por parte do pai. Fora o bilhete de suicídio de Linda, que acaba vindo à tona no meio da festa. Uma cena clássica, que mostra claramente que velhas intrigas e revelações bombásticas acabam por tirar o frágil verniz das convenções. Muito triste.


4 - Boogie Nihgts, de Paul Thomas Anderson (1997) - Na crista da onda do cinema pornô, em plena e louca década de 70, Jack Horner, aclamado diretor do gênero "inventa" Dirk Diggler, um jovem e estreante ator que descobre que seu grande talento de 33 cm pode abrir as portas de um mundo feito com drogas, sexo e muita disco dance. Diggler passa a fazer parte de uma "família" que agrega atores, produtores, técnicos e toda a fauna que gira em torno da indústria pornográfica de filmes. Com essas pessoas, ele acaba aprendendo que a vida não é feita apenas de alegria à toda prova e encontra caras e bocas bem mais tristes do que as que se vê nos filmes de sexo explícito. O filme acompanha a "ascenção e queda" de personagens como Amber, a atriz que sofre porque não consegue a guarda do filho e se desdobra em cuidados maternais para com todos os colegas de trabalho; como a Rollergirl, sempre montada em seus patins e enfrentando o preconceito pela vida que leva; e até como o próprio diretor dos filmes e 'paizão' de toda a turma, que apesar de achar que faz arte através de seus filmes, só consegue enxergar mediocridade neles quando os avalia mais profundamente. Dirk Diggler é outro que também cai num mundo de vícios e crimes, ainda que permaneça a lenda do seu nome. Triste de doer.

5 - Felicidade, de Todd Solondz (1998) - Joy é a azarada filha caçula de uma família que só busca a pura e simples felicidade. Cada um ao seu modo, claro. Seus avós estão se separando após 40 anos de casamento e sua avó agora só pensa em arrumar um parceiro sexual. Sua irmã mais velha se acha muito feliz com a família que tem, mas seu marido é um psicanalista pedófilo que só pensa em conquistar o amiguinho afeminado de seu filho de 11 anos. A irmã do meio de Joy é uma escritora bem sucedida e ninfomaníaca que se acha infeliz por nunca ter sido estuprada, até que um maníaco sexual passa a aterrorizá-la. Tudo isso em meio ao eterno azar de Joy, que a despeito de seu nome de batismo, não consegue encontrar a alegria que tanto deseja. Apesar do azar e da clara "infelicidade", Joy se mantém perseverante e otimista, mesmo quando se torna voluntária numa escola para imigrantes em que os professores estão em greve e ao entrar para dar aulas é chamada de traidora e fura-greve. O que o filme mostra é que pessoas comuns são capazes de qualquer coisa na busca dessa tal felicidade, ainda que precisem tomar atitudes imorais e até criminosas. Um show de corações despedaçados!


6 - A.I. Inteligência Artificial, de Steven Spielberg (2001) - Calotas polares derretidas, recursos naturais escassos e a humanidade já em franca decadência. Assistir a tudo isso já deixa o espectador com uma deprê de dar dó. Quando somos apresentados a um futuro em que há robôs para tudo - trabalhos domésticos, trabalhos de escritório, para fazer companhia e até para fazer sexo! - descobrimos que o amor virou item de série na mais nova invenção dos humanos: David, um menino-robô que ama incondicionalmente. Ele é adotado por um casal que sofre pela doença terminal do filho - que foi congelado até que a cura fosse encontrada - e luta para ser amado por uma mãe deprimida e neurótica. Quando o filho verdadeiro volta e surgem as competições naturais pelo amor da mãe, David é abandonado numa floresta e começa aqui uma triste jornada para o menino, que não foi programado para esquecer o amor que sentia pela mãe. Suas únicas companhias são o ursinho Teddy e o robô-gigolô Joe, que tenta ajudá-lo a encontrar um lugar no mundo para David. "Eu só preciso fazer as mulheres felizes", explica Joe. Muito triste essa idéia de fazer do amor algo programável e o filme só caminha para mais tristeza, quando o Planeta Terra já se acabou, extra-terrestres tomam conta do que restou e fazem pesquisas para descobrir como foi a vida no planeta. O menino-robô congelado é descoberto e quando é reprogramado só tem lembranças de sua amada mãe. De partir o coração.

7 - Réquiem para um sonho, de Darren Aronofsky (2000) - Se o diretor decidisse batizar este filme de "sonhos despedaçados" teríamos um título brega, mas totalmente afinado com as histórias que vemos aqui. A dona de casa Sara quer ficar magra para caber em seu melhor vestido para participar de um programa de tevê - ela passa a usar anfetaminas para isso. Seu filho Harry quer ficar rico, mas não consegue trabalho e a namorada dele, Marion, sonha em ter uma grife. Enquanto tudo isso não acontece, Harry e seu amigo Tyrone têm uma idéia genial para ganhar dinheiro vendendo drogas, apesar de estarem sempre drogados. Quanto mais sonham, mais os personagens se afundam nas drogas, seja na daninha heroína, seja nas anfetaminas que podem emagrecer a dona de casa. Os personagens que se destroem em nome de seus sonhos mostram aos idealistas que nem tudo na vida é possível e que não basta apenas força de vontade para realizar grandes desejos. As cenas degradantes de Marion se prostituindo por drogas e Sara acossada pela feroz geladeira de sua casa são tristes símbolos do perigo que existe em acreditar tão piamente em sonhos.




8 - Menina de Ouro, de Clint Eastwood (2004) - Insistência deveria ser o nome de Maggie, personagem de Hilary Swank, que quer realmente ser uma campeã de boxe, apesar de ter chances quase nulas, segundo avaliação de Frankie (Eastwood), treinador de boxe que já teve seus dias de glória, mas faz questão de esquecê-los. Tanto insiste Maggi, até conseguir dobrar Frankie, que indo contra todos os princípios firmados por ele nos últimos anos, decide treinar a lutadora - e ela se torna campeã de boxe. Numa relação de amizade e confiança que só cresce ao longo da história, temos um final trágico, apesar de sensível e humano. A narração de Scrap (Morgan Freeman) torna tudo ainda mais triste, especialmente ao final do filme, em que Frankie vai embora de coração partido e ele - o narrador - filosofa: "Nesse momento, creio que ele já não sentisse nada." Cruel.





9 - Amores Brutos, de Alejandre González-Iñárritu (2000) - Com uma história que parece ser das mais complexas em todos os tempos, três vidas normais se entrelaçam de maneira trágica: o adolescente apaixonado que passou a ganhar muito dinheiro em brigas de cães; a modelo famosa e feliz que conseguiu tirar seu amante das mãos da esposa; e o agora matador de aluguel, ex-guerrilheiro, que vive um mundo de amarguras, se cruzam num terrível acidente de trânsito que altera a vida de cada um dos envolvidos da pior maneira possível. Num drama que envolve solidão, arrependimento, abandono, depressão e muito amor - especialmente pelos cachorros (daí o nome original do filme) - Amores Brutos mostra o quanto essa nossa vidinha é frágil, volátil e suscetível a desgraças de todos os tipos. Triste demais.







10 - Closer, de Mike Nichols (2004) - A stripper Alice se apaixona pelo jornalista-escritor Dan e vive numa doce e improvisada lua de mel até que seu amado se apaixona pela fotógrafa Anna, que prefere se casar com Larry, o médico - apesar de não hesitar em se tornar amante de Dan. Personagens egoístas, quase ególatras, e situações nada insólitas nos dão uma sensação de vazio e descrença no ser humano. O pior de todas as constatações, ao assistir ao filme, é que a vida tem sido assim mesmo, dessa maneira um tanto ensandecida e inconsqüente. A cena em que Dan abandona Alice, logo após um encontro sexual entre ele e Anna, é de estilhaçar o coração. O diálogo entre os personagens: "A última coisa que quero é magoar você..." - Dan, um tanto compenetrado. "Então por que está me magoando?" - Alice chorando. Crash total.







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No player - Filme triste, Chico César.
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segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Porque a Lei de Murphy existe: dez filmes que comprovam a teoria


Lênin indo embora...


1 - Adeus, Lênin! de Wolfgang Becker (2003) – A mãe de Alex, ferrenha defensora do comunismo da ex-Alemanha Oriental acorda de um coma de 15 anos no momento em que as duas Alemanhas se unificam. É dada a largada para uma corrida do filho contra os fatos, na tentativa de deixar o mundo exatamente como sua mãe gostava antes da longa dormida. Cenas engraçadas e até melancólicas compõem essa luta, mas Alex não pode fazer nada quando leva a mãe para passear no parque e estão levando embora a estátua de Lênin rebocada num helicóptero bem ali, na cara dos dois! Sem remédio... Adeus, Lênin.

2 - 21 gramas, de Alejandro Gonzalez-Iñarritu (2003) – Um acidente de carro altera a tênue felicidade de três famílias. O atropelador sente muita culpa; a ex-drogada, mãe da família morta, fica arrasada e disposta a voltar ao consolo químico; e um professor de matemática recebe um coração novo no lugar do seu defeituoso. Antes disso, diante da morte iminente do marido, Mary, numa inacreditável tentativa de provar o amor que sente pelo professor de matemática, decide engravidar através de inseminação artificial. Mas apareceu um coração novo e o amor antigo morre. Mary fica a ver navios. Cruel.

3 - Jackie Brown, de Quentin Tarantino (1997) – A comissária de bordo de uma companhia aérea obscura transporta dinheiro ilegal para o traficante de armas Ordell, que já está na mira dos federais. Quando Jackie é presa e obrigada a colaborar com a polícia, entra em cena Max, o agente de condicional que precisa ficar de olho nela 24 horas por dia. Mas Max se apaixona perdidamente por Jackie... Porque o amor pode ser doloroso. E até doloso!

4 - Fale com ela, de Pedro Almodóvar (2002) – Depois de sermos apresentados aos dramas pessoais de Benigno, Alícia, Marcos e Lydia, numa rotina de hospitais, cuidados e mulheres sem palavras, conhecemos situações ocultas que culminaram na circunstância atual: o amor de Benigno por Alícia, primeiro numa aula de balé através da janela de seu apartamento, depois na rotina hospitalar. Mas antes disso, no dia em que Benigno decide abrir seu sentimento para Alícia, ela sofre o acidente que a deixa em coma – e para sempre ignorante do amor do enfermeiro por ela. Porque a lei de Murphy existe.

5 - O Lenhador, de Nicole Kassell (2004) – Walter é um homem de meia-idade que passou 12 anos na cadeia cumprindo pena por pedofilia. Quando é libertado, através de uma condicional por bom comportamento, naturalmente é rejeitado pela vizinhança e até por sua família. Mas a tensão maior começa ao perceber que o apartamento onde vai passar seus dias fica em frente a uma escola elementar cheia de menininhas pré-púberes, o fraco do pedófilo em questão. Porque as coisas sempre podem ser piores do que se espera.

6 - E sua mãe também, de Alfonso Cuarón (2001) – Julio e Tenoch são dois típicos adolescentes que só pensam em sexo e aventura. A chance de unir essa perfeita combinação surge quando Luisa, a prima trintona de Tenoch recém-separada e que acabou de chegar da Espanha, propõe uma viagem a três, na busca da perdida praia Boca del Cielo. No caminho, paisagens deslumbrantes, menos sexo do que eles imaginaram e mais paixão do que previram. Num acerto de contas final, quando os dois se percebem apaixonados e rivais no amor pela balzaquiana que enfrenta um câncer terminal, os podres sexuais vêm à tona e cada um se vangloria por ter “passado o rodo” na namorada do outro. Diante da passividade de Julio, Tenoch, na última tentativa de atingir o amigo revela teatralmente: “Y tu mamá también!”. Não confie nem no seu melhor amigo...

7 - Garotos Incríveis, de Curtis Hanson (2000) – o filme, baseado no imperdível livro homônimo de Michael Chabon, é uma sucessão intermitente de fatos que comprovam e atestam que a Lei de Murphy existe. Em um único final de semana – em que ele, inclusive, precisa dar uma palestra sobre literatura – o professor e escritor Graddy Tripp é abandonado pela esposa, descobre que sua amante (esposa do seu chefe) espera um filho seu, precisa entregar os originais de um novo livro para seu editor (mas está inacabado), além de conseguir matar o cachorro do chefe e tentar equilibrar a cabeça desequilibrada de seu melhor aluno. Fantástico, fantástico.

8 - A professora de Piano, de Michael Haneke (2001) – o jovem aluno da professora de piano do título se vê perdidamente apaixonado pela mestra e toma a decisão de não medir conseqüências para conquistá-la (como todo jovem faria). A professora, muito austera e dona de uma personalidade insensível (até pela criação que mãe ditadora deu a ela), recusa terminantemente as investidas do aprendiz. Mas ele não desiste. E quando finalmente ele consegue quebrar o coração de gelo da pianista, percebe que ela é tão durona, contida (e até maluca), que esse romance vai deixá-lo muito, muito desapontado. O amor, esse ser insensível.

9 - Os infiltrados, de Martin Scorcese (2006) – Sullivan é um afilhado da máfia infiltrado na polícia. Billy é um ex-policial infiltrado na máfia. Os destinos dos dois personagens se opõem milimetricamente (até na mulher que dividem na cama), numa guerra de nervos e cuidados para identificar quem é “bom” e quem é “mau” – dependendo do lado em que está infiltrado. Num acerto de contas inesperado em que algumas verdades são reveladas, o mocinho leva um balaço na cabeça. Pungente.

10 - Pecados Íntimos, de Todd Field (2006) – Sarah é uma jovem dona de casa inteligente demais para a vida típica dos subúrbios americanos. Brad é o belo pai que troca de função com a esposa (ela é quem sustenta a casa) e vive na mesma frustração de Sarah. Quando os passeios no parquinho com os filhos viram desculpa para os encontros sexuais dos dois, eles passam a vislumbrar uma saída para essa vida enfadonha e planejam uma fuga. No dia da tal fuga, Brad sofre um acidente e Sarah fica sem entender porque o amante não apareceu. Porque se houver uma chance das coisas darem errado, elas darão errado.

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A Lei de Murphy – criada pelo engenheiro aeronáutico americano Edward Murphy, ele foi a primeira vítima conhecida de sua teoria. Ele era um dos engenheiros envolvidos nos testes sobre os efeitos da desaceleração rápida em piloto de aeronaves. Para fazer tal medição, construiu um equipamento que registrava os batimentos cardíacos e a respiração dos pilotos, por volta de 1949. O aparelho foi instalado por um técnico, mas simplesmente ocorreu uma pane; com isso Murphy foi chamado para consertar o equipamento e descobriu que o técnico instalou tudo errado. Daí formulou a sua lei que dizia: “Se alguma coisa tem a mais remota chance de dar errado, certamente dará”. Eu gosto mais da versão posterior, um pouco mais trabalhada, que diz: Se alguma coisa pode dar errado, dará. E mais, dará errado da pior maneira, no pior momento e de modo que cause o maior dano possível”.

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Ouvindo: At Last, Etta James

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segunda-feira, 4 de dezembro de 2006

Dez motivos para amar "O fabuloso destino de Amélie Poulain"


1. Me faz parecer menos maluca quando estou em alguma atividade cotidiana e começo a pensar em como seria bom se algo diferente acontecesse – no caso do filme, Amélie prepara um bolo e imagina Nino chegando à sua casa, numa visita surpresa. No meu caso pode ser qualquer outra coisa – qualquer outra coisa mesmo – às vezes estou na ante-sala do prefeito, esperando o ok para entrar no gabinete e fazer logo a bendita entrevista marcada e fico imaginando como seria interessante se o prefeito resolvesse simplesmente comentar algo sobre o novo livro do Dalton Trevisan, “Macho Não Ganha Flor”... Uh! Já pensou nisso...? O Trevisan e sua visão cafajeste do mundo seria uma ótima maneira de começar o dia no trabalho...

2. Me fez descobrir que é muito melhor conhecer uma pessoa através de seus prazeres do que pela intuição que se tem do saldo de sua conta bancária – como a maioria das pessoas costuma fazer. Não há nada melhor do que saber que aquela figura que estou maluca para impressionar adora encher uma caneca de café enquanto trava uma longa conversa ao telefone...

3. Dá vontade de sair fazendo boas ações para todos os lados, o que sempre é recompensante, visto que uma boa ação gera muitas outras – o que acaba melhorando este mundo sem-pé-nem-cabeça em que vivemos.

4. Fortalece minha criatividade e muito do meu lado mais lúdico – com tantos inventos, planos e maquinações da Amélie, acabo me inspirando ao tratar de assuntos chatos como encarar uma reunião com o chefe.

5. Me dá a certeza que minha coleção de marcadores de livros não é besteira nenhuma!

6. Me faz rir muito, muito mesmo. E o sorriso insiste em permanecer em meu rosto por alguns longos (e abençoados) dias...

7. Me faz ver da melhor maneira possível coisas chatas que acontecem comigo, afinal, nem todo dia pode ser perfeito, né?

8. Me deixa muito mais feliz e satisfeita com a mãe nada neurótica – às vezes até desapegada – que tenho.

9. Me faz achar normal que meu pai cuide da grama todo fim de semana – em vez de cuidar todos os dias, como o desconfiado e abandonado Sr. Poulain.

10. Me faz ter menos medo de andar de moto!

(Bônus Track)

11. Me dá mais e mais vontade de conhecer Paris!