sábado, 10 de novembro de 2007

É peixe! ou O que tem de bom na Rede - parte 1


Este é peixe dos grandes! E não é história de pescador...

Escrevo este ensaio enquanto escuto o "inominável" álbum que oficializou a Tropicália na História da Música Brasileira e que acabei de baixar da Rede através do delicioso Um Que Tenha, um dos blogs mais fundamentais para quem gosta de educar os ouvidos enquanto passeia pela internet - e nem precisa estar navegando para escutar as músicas que você encontra aqui: dá para baixar álbuns inteiros. Mas não se trata de apologia ou mesmo apoio a pirataria e coisas do tipo: o grande lance é que aqui vale à pena que qualquer um tenha e possa compartilhar de pérolas como Tropicália ou Panis et Circenses.
Camuflado atrás do pseudônimo Fulano Sicrano, um benfeitor disponibiliza download de mais de 900 artistas através de cerca de 2600 álbuns, sendo que, pelo menos 80% desses discos, são absolutamente difíceis e complicadíssimos de encontrar em qualquer prateleira obscura de uma boa loja de raridades. Lá é possível garimpar 40 álbuns de Tom Jobin, até 3 do super-cult Sérgio Sampaio, 9 do Nelson Gonçalves e até mais de um álbum do dificílimo Nelson Sargento! Estão lá também o Chico [Buarque], a Bethânia e seu ilustríssimo irmão, Jorge Mautner e alguns fundamentais americanos, como Ella Fitzgerald, Coleman Hawkins e Chet Baker, além de representantes de peso do popular-brega, como Valdick Soriano e Cauby Peixoto.
Conheci esse peixe grande através de meu amigo Gil Brandão, tentando me tirar de um sábado de puro tédio, desses que acontecem de vez em quando.

O álbum - Lançado em 1968, Tropicália ou Panis et Circenses funcionou como manifesto oficial de um dos movimentos musicais mais criativos e inventivos que este país já viu e ouviu. Rogério Duprat orquestrou com maestria a louca sonoridade do disco, que reuniu Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Os Mutantes, Nara Leão, Tom Zé e Torquato Neto. Entre suas 12 canções, algumas chegaram ao status de hino do movimento, como a própria Panis et Circenses, Geléia Geral, Baby e a incrível Bat Macumba. Aliás... incrível mesmo é o álbum inteiro. (E por falar nisso, a Tropicália está completando 40 anos... Não deixe de conhecer mais sobre o movimento.) Agora vai lá baixar! Antes disso, explore logo o disco por aqui, faixa por faixa:

1 - Misere Nobis
Interpretação: Gilberto Gil
A letra é uma referência direta àqueles hinos em latim, muito entoados nos cultos católicos nos idos dos anos 60 (até a Igreja do Papa achar que valia à pena os fiéis brasileiros entenderem o que tanto se falava nas missas).

2 - Coração materno
Interpretação: Caetano Veloso
Faixa intrigante, meio épica e emocionante. A produção musical nela incluiu até tiros de canhão!

3 - Panis et circenses
Interpretação: Mutantes
Candidata a hino do movimento, a faixa que empresta seu nome ao título [ou subtítulo] do disco foi diretamente influenciada pelo famigerado Sgt. Pepper´s Lonely Hearts Club Band, dos Beatles, um dos discos mais importantes de todos os tempos, muito pelas suas invencionices musicais. Aqui a produção musical arrumou a simulação de um jantar ao vivo, já que as pessoas estão na sala de jantar.

4 - Lindonéia
Interpretação: Nara Leão
Delícia de faixa, um bolero nada convencional, até meio pessimista, falando de cachorros mortos na rua e coisas do tipo... Reza a lenda que a letra foi inspirada num quadro do artista plástico Rubens Gershman e feita pelo Caetano a pedido da própria Nara Leão.

5 - Parque industrial
Interpretação: Caetano Veloso / Gal Costa / Gilberto Gil / Mutantes
O pesquisador da História da MPB, Luiz Américo Lisboa, ligou o título dessa música ao título de um livro de Patrícia Galvão, a famosa Pagu dos anos 20. "Porque é made in Brazil".

6 - Geléia geral
Interpretação: Gilberto Gil
Canção mais panfletária do disco, destacando o regionalismo exacerbado da cultura brasileira. Uma pérola muito inspirada... Mais uma referência ao disco dos Beatles, incluindo sons de rua em sua produção.

7 - Baby
Interpretação: Caetano Veloso / Gal Costa
Aquela doçura que é a Gal cantando essa música... Mais uma faixa inegavelmente tropicalista.

8 - Três Caravelas (Las tres carabelas)
Interpretação: Caetano Veloso / Gilberto Gil
Um ensaio de bebop que vira uma rumba cubana; faixa muito agradável, contando de maneira irreverente a chegada dos descobridores da América ao novo continente.

9 - Enquanto seu lobo não vem
Interpretação: Caetano Veloso
A mim parece a primeira declaração de amor pública que o Caetano fez à Estação Primeira de Mangueira...

10 - Mamãe coragem
Interpretação: Gal Costa
Interpretação primorosa da Gal, com letra de uma graça encantadora. Muito a cara do Torquato.

11 - Bat macumba
Interpretação: Gilberto Gil
A letra lembra mais um desses poemas concretos que foi musicado. Mas o resultado é ótimo!

12 - Hino ao Senhor do Bonfim
Interpretação: Caetano Veloso / Gal Costa / Gilberto Gil / Mutantes
Não poderia terminar melhor: todo mundo celebrando o Brasil numa paródia muito louca das bandas de coreto do interior (referência ao militarismo dominante da época) falando de justiça, concórdia e até graça divina!

Vai buscar logo lá no umquetenha.blogspot.com

Qualquer problema na hora de fazer o download, aprenda aqui como baixar arquivos no Rapid Share.


4 comentários:

M. disse...

Visita esse: http://www.sebodobac.com/
Abraço!

renato disse...

era de um desses que eu estava precisando

rafa disse...

não tô conseguindo baixar! Como é que faz?

Fulano Sicrano disse...

Gisele, muitíssimo obrigado pelos seus comentários em relação ao UQT, são muito generosos, gentis e trazem uma carga de responsabilidade enorme.
Só queria acrescentar uma coisa, se me der a sua licença: tudo o que existe no blog é absolutamente grátis e vantagem de nenhuma espécie é obtida pelo administrador do blog e colaboradores. Não há sequer propaganda ou pedidos de doação.
A palavra-chave é "compartilhar" e não piratear, já que pirataria é sinônimo de pilhagem, que significa apropriar-se de algo com fins de acréscimo patrimonial pessoal e essa atitude está completamente afastada das nossas intenções.
Beijo e obrigado.