terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

A triste "realidade" dos suicidas

A semana começou com um ato inusitado que acabou virando notícia triste: um homem morreu ao colidir com uma carreta depois de dirigir por 4 quilômetros na contramão da Rodovia Castelo Branco, em São Paulo. A via, que liga a capital do estado à região oeste da Grande São Paulo, é uma das mais movimentadas da região. A imagem captada pelas câmeras que monitoram a estrada mostra o motorista parado por cerca de dois minutos à margem da via; depois ele parece se encorajar para a morte e manobra bruscamente, em alta velocidade, entrando na contramão da rodovia, sem desviar de qualquer carro que apareça na frente dele, dirigindo em linha reta até se colidir com o caminhão carregado de ferragens.
Na investigação descobriu-se que o rapaz se chamava Kléber Rodrigo Plens, tinha 27 anos e voltava da formatura da namorada, com quem brigou e passou parte da festa sem falar. Amigos sugeriram a hipótese do rapaz estar bêbado ou ainda ter se perdido no caminho de casa, mas a firmeza com que que o carro seguiu na contramão não aponta para isso. Além da ausência de indícios de consumo de drogas ou bebida alcoólica, que reforça a hipótese de suicídio: esse cara deve ter se matado mesmo. Mas, após tais conclusões, fica uma pergunta que não quer calar: por que diabos tinha que ser de forma tão perigosa para outros e tão apelativa para a mídia?

"Suicídio - trama da Comunicação", dissertação de mestrado em Psicologia Social pela PUC de São Paulo, defendida por Marcimedes Martins da Silva, aponta que o suicídio é um gesto de comunicação social. Uma tentativa de mostrar a realidade subjetiva de quem comete o gesto, de mostrar o que existe além da realidade aparente de quem vê, condena, julga e rejeita o gesto. É uma "saída encontrada quando são quebrados os vínculos comunicativos do indivíduo com o mundo onde vivia".

Os amigos de Kléber Plens não compreenderam o que o jovem queria dizer enquanto estava vivo, tampouco conseguiram compreender depois que invadiu a contramão de uma rodovia movimentada em busca da morte. "Talvez o mundo inteiro vendo, alguém compreenda", ele pode ter pensado antes de fazer a manobra brusca à margem da estrada. Mas é inútil: a angústia do jovem deve permanecer em segredo, a despeito de seu imenso desejo que todos percebessem.


4 comentários:

Ricardo disse...

Queria aparecer mesmo esse aí...

Anônimo disse...
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Anônimo disse...

Não concordo com essas idéias. Me pareceu que o cara foi julgado sumariamente e condenado por se matar. Não é um deireito dele? A vida não é dele?

Cintia Maria

Anônimo disse...

Minha querida Cintia Maria, a vida é realmente dele, mas o filho da P---, não tinha o direito de colocar outras vidas em risco!Graças a Deus que só o idiota se ferrou!
Já pensaste o que seria se ele batesse com o carro em alguém que amas muito e este alguém estivesse morrido?
Fico P da vida qdo as pessoas querem dar cabo da vida e arrastam com elas outras que querem viver.