quarta-feira, 6 de maio de 2009

Lei de Murphy: o retorno

Hoje tive um dia de trabalho totalmente cheio e um pouco desastroso: tinha que fazer um monte de coisas no escritório, mas apareceu um compromisso externo totalmente inadiável - o presidente Lula "visitou" São Luís por conta de compromissos políticos relacionados às enchentes que castigam o nordeste - inclusive o Maranhão - e eu tive que ir para lá, acompanhar meu chefe e fazer uma "pequena" matéria sobre o acontecimento.

Eu precisava voltar para o escritório, meu tempo era escasso, mas imaginei que nada sairia errado: se o presidente chegasse às 14h15, como estava previsto, daria para voltar antes das 16h, fazer tudo o que estava faltando no trabalho, redigiria a matéria e ainda daria tempo de dar uns beijos no bofe! Hahahahaha... Ledo engano. Esqueci que a Lei de Murphy existe e que ela não deixa de aparecer nos piores momentos da vida: passei nada menos que cinco horas no aeroporto! Esperando o presidente! Todos os meus planos foram por água abaixo, inclusive os beijos que eu estava louca para dar no boy! Enfim.

Em homenagem a todos esses "maravilhosos" acontecimentos, vou republicar um texto que escrevi uns tempos atrás aqui neste blog. Para eu não esquecer que a Lei de Murphy existe!

Porque a Lei de Murphy existe: dez filmes que comprovam a teoria


1 - Adeus, Lênin! de Wolfgang Becker (2003) – A mãe de Alex, ferrenha defensora do comunismo da ex-Alemanha Oriental acorda de um coma de 15 anos no momento em que as duas Alemanhas se unificam. É dada a largada para uma corrida do filho contra os fatos, na tentativa de deixar o mundo exatamente como sua mãe gostava antes da longa dormida. Cenas engraçadas e até melancólicas compõem essa luta, mas Alex não pode fazer nada quando leva a mãe para passear no parque e estão levando embora a estátua de Lênin rebocada num helicóptero bem ali, na cara dos dois! Sem remédio... Adeus, Lênin.


Lênin indo embora


2 - 21 gramas, de Alejandro Gonzalez-Iñarritu (2003) – Um acidente de carro altera a tênue felicidade de três famílias. O atropelador sente muita culpa; a ex-drogada, mãe da família morta, fica arrasada e disposta a voltar ao consolo químico; e um professor de matemática recebe um coração novo no lugar do seu defeituoso. Antes disso, diante da morte iminente do marido, Mary, numa inacreditável tentativa de provar o amor que sente pelo professor de matemática, decide engravidar através de inseminação artificial. Mas apareceu um coração novo e o amor antigo morre. Mary fica a ver navios. Cruel.


3 - Jackie Brown, de Quentin Tarantino (1997) – A comissária de bordo de uma companhia aérea obscura transporta dinheiro ilegal para o traficante de armas Ordell, que já está na mira dos federais. Quando Jackie é presa e obrigada a colaborar com a polícia, entra em cena Max, o agente de condicional que precisa ficar de olho nela 24 horas por dia. Mas Max se apaixona perdidamente por Jackie... Porque o amor pode ser doloroso. E até doloso!


4 - Fale com ela, de Pedro Almodóvar (2002) – Depois de sermos apresentados aos dramas pessoais de Benigno, Alícia, Marcos e Lydia, numa rotina de hospitais, cuidados e mulheres sem palavras, conhecemos situações ocultas que culminaram na circunstância atual: o amor de Benigno por Alícia, primeiro numa aula de balé através da janela de seu apartamento, depois na rotina hospitalar. Mas antes disso, no dia em que Benigno decide abrir seu sentimento para Alícia, ela sofre o acidente que a deixa em coma – e para sempre ignorante do amor do enfermeiro por ela. Porque a lei de Murphy existe.


5 - O Lenhador, de Nicole Kassell (2004) – Walter é um homem de meia-idade que passou 12 anos na cadeia cumprindo pena por pedofilia. Quando é libertado, através de uma condicional por bom comportamento, naturalmente é rejeitado pela vizinhança e até por sua família. Mas a tensão maior começa ao perceber que o apartamento onde vai passar seus dias fica em frente a uma escola elementar cheia de menininhas pré-púberes, o fraco do pedófilo em questão. Porque as coisas sempre podem ser piores do que se espera.


6 - E sua mãe também, de Alfonso Cuarón (2001) – Julio e Tenoch são dois típicos adolescentes que só pensam em sexo e aventura. A chance de unir essa perfeita combinação surge quando Luisa, a prima trintona de Tenoch recém-separada e que acabou de chegar da Espanha, propõe uma viagem a três, na busca da perdida praia Boca del Cielo. No caminho, paisagens deslumbrantes, menos sexo do que eles imaginaram e mais paixão do que previram. Num acerto de contas final, quando os dois se percebem apaixonados e rivais no amor pela balzaquiana que enfrenta um câncer terminal, os podres sexuais vêm à tona e cada um se vangloria por ter “passado o rodo” na namorada do outro. Diante da passividade de Julio, Tenoch, na última tentativa de atingir o amigo revela teatralmente: “Y tu mamá también!”. Não confie nem no seu melhor amigo...


7 - Garotos Incríveis, de Curtis Hanson (2000) – o filme, baseado no imperdível livro homônimo de Michael Chabon, é uma sucessão intermitente de fatos que comprovam e atestam que a Lei de Murphy existe. Em um único final de semana – em que ele, inclusive, precisa dar uma palestra sobre literatura – o professor e escritor Graddy Tripp é abandonado pela esposa, descobre que sua amante (esposa do seu chefe) espera um filho seu, precisa entregar os originais de um novo livro para seu editor (mas está inacabado), além de conseguir matar o cachorro do chefe e tentar equilibrar a cabeça desequilibrada de seu melhor aluno. E do livro inacabado sobram apenas algumas folhas, depois de perder mais da metade numa ventania inesperada. Fantástico, fantástico.


8 - A professora de Piano, de Michael Haneke (2001) – o jovem aluno da professora de piano do título se vê perdidamente apaixonado pela mestra e toma a decisão de não medir conseqüências para conquistá-la (como todo jovem faria). A professora, muito austera e dona de uma personalidade insensível (até pela criação que a mãe ditadora deu a ela), recusa terminantemente as investidas do aprendiz. Mas ele não desiste. E quando finalmente ele consegue quebrar o coração de gelo da pianista, percebe que ela é tão durona, contida (e até maluca), que esse romance vai deixá-lo muito, muito desapontado. O amor, esse ser insensível.


9 - Os infiltrados, de Martin Scorcese (2006) – Sullivan é um afilhado da máfia infiltrado na polícia. Billy é um ex-policial infiltrado na máfia. Os destinos dos dois personagens se opõem milimetricamente (até na mulher que dividem na cama), numa guerra de nervos e cuidados para identificar quem é “bom” e quem é “mau” – dependendo do lado em que está infiltrado. Num acerto de contas inesperado em que algumas verdades são reveladas, o mocinho leva um balaço na cabeça. Pungente.


10 - Pecados Íntimos, de Todd Field (2006) – Sarah é uma jovem dona de casa inteligente demais para a vida típica dos subúrbios americanos. Brad é o belo pai que troca de função com a esposa (ela é quem sustenta a casa) e vive na mesma frustração de Sarah. Quando os passeios no parquinho com os filhos viram desculpa para os encontros sexuais dos dois, eles passam a vislumbrar uma saída para essa vida enfadonha e planejam uma fuga. No dia da tal fuga, Brad sofre um acidente e Sarah fica sem entender porque o amante não apareceu. Porque se houver uma chance das coisas darem errado, elas darão errado.


Sarah, Brad e as crianças

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A Lei de Murphy – criada pelo engenheiro aeronáutico americano Edward Murphy, ele foi a primeira vítima conhecida de sua teoria. Ele era um dos engenheiros envolvidos nos testes sobre os efeitos da desaceleração rápida em piloto de aeronaves. Para fazer tal medição, construiu um equipamento que registrava os batimentos cardíacos e a respiração dos pilotos, isso por volta de 1949. O aparelho foi instalado por um técnico, mas simplesmente ocorreu uma pane; com isso Murphy foi chamado para consertar o equipamento e descobriu que o técnico instalou tudo errado. Daí formulou a sua lei que dizia: “Se alguma coisa tem a mais remota chance de dar errado, certamente dará”. Eu gosto mais da versão posterior, um pouco mais trabalhada, - e definitiva - que diz: “Se alguma coisa pode dar errado, dará. E mais: dará errado da pior maneira, no pior momento e de modo que cause o maior dano possível”.


quarta-feira, 29 de abril de 2009

Os filmes da minha vida

Da série Blogagem Coletiva

Filmes, filmes, filmes! Qual a melhor diversão do mundo depois de uma boa leitura? Claro que é se entregar, por algumas horas, à magia do cinema! Ali se encontra tudo que há num bom livro: história, enredo, suspense, encantamento, fascinação, personagens... Aliás, esses três últimos "itens" são definitivos para que eu tenha certeza que aquilo lá que eu vi é realmente um filme excepcional.

Já vi muitos e isso torna especialmente difícil e árdua a tarefa de escolher um só para ser "o" filme da minha vida. Como acabei fazendo na escolha do livro da minha, decidi apontar três títulos que mudaram para sempre minha maneira de ver a vida.

Vou começar pelo filme que me causou a sensação mais gostosa que se tem ao assistir um filme: o encantamento. Supercalifragilisticexpialidocious! Quando escutei isso pela primeira vez - lá pelos meus oito anos - nossa! O encantamento foi imediato. Mary Poppins [1964, Robert Stevenson] com sua sombrinha que servia de pára-quedas, seu amigo limpador de chaminés que fazia desenhos no chão - e dava pra mergulhar neles - e sua valise com um fundo sem fim fez parte de meu imaginário por muitos anos. E até hoje, quando ando no maior estresse, essa obra-prima do cinema sempre aparece como apaziguador dos hormônios e pressões da vida: é só assistir que saio feliz, cantarolando as canções da babá mais divertida do mundo.


O segundo filme da lista foi o que me causou uma fascinação que me faz suspirar até hoje, quando penso nele: Casablanca [1942, Michael Curtiz] com sua história de amor cheia de rancores e paixões exacerbadas conquistou platéias do mundo inteiro e não foi por acaso! Rick (Humphrey Bogart) é sombrio e desiludido, encarando a vida com a dureza e o cinismo dos que carregam o coração partido; ele comanda um bar em Casablanca, único ponto de fuga para sua amada Ilsa, (Ingrid Bergman, lindíssima) que não está sozinha, mas com o marido - e ele não é qualquer um: ele é simplesmente um dos cabeças da resistência tcheca ao nazismo que tomava conta da Europa na Segunda Grande Guerra. Em meio a toda a turbulência política que ronda o local, Rick e Ilsa relembram o grande amor vivido entre os dois ainda em Paris, antes da invasão nazista na França. E quando Sam, o pianista do Rick's Bar toca As time goes bye, após a discreta insistência de Ilsa, a paixão por essa história e por esse filme é instantânea.

Uma outra coisa que destaco nesse filme é a riqueza dos diálogos, com frases e situações afiadíssimas para quem gosta de prestar atenção nisso. Tudo é muito cínico, tudo é muito duro, principalmente quando os personagens do Risck's Bar estão em cena. Na passagem em que Ilsa insiste que Sam toque As time goes by, ele simplesmente finge que não a conhece! O diálogo:

ILSA: Toque uma vez, Sam. Pelos bons velhos tempos.
SAM: Eu não sei o que quer dizer, senhorita.
ILSA: Toque, Sam. Toque As time goes by.

E os acordes e o vozeirão de Sam enchem o bar, para desespero de Rick, que queria mesmo era esquecer aquilo tudo. Fan-tás-ti-co!


O último filme dessa humilde lista é um que me causou fascinação e encantamento pela riqueza dos personagens apresentados ali. Também me fez ter certeza de que o cinema e a arte são uma fábrica inesgotável de possibilidades: Dogville, de Lars von Trier [2003]. Cinema com cara de teatro, teatro do absurdo, teatro caixa preta, num galpão escuro e sem elementos de cena. Um filme baseado na força de sua história e de suas atuações: um show.

O filme começa com uma tomada de cima, onde se pode ver o desenho da cidade - com as marcações dos espaços das casas desenhados no chão. A cidade se chama Dogville e é lá que Grace (Nicole Kidman, atuação fenomenal) procura abrigo ao fugir de gângsteres. Os moradores do local não querem se comprometer, mas deixam Grace ficar por ali, fazendo tarefas que "não são necessárias", mas que os moradores "generosamente" permitem. A verdade é que não há generosidade ou bondade, mas apenas uma relação de troca. E é aqui que a história relata de maneira magistral a arrogância inata ao ser humano. Lindo, simplesmente lindo.


Esses são os filmes da minha vida. Espero que tenham assistido - e gostado.
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Escute aqui As time goes by como toca em Casablanca.

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Este post faz parte da Blogagem Coletiva - O Filme da Minha Vida, proposta pela Vanessa, do Fio de Ariadne, ao qual 120 blogueiros cinéfilos aderiram e estão, hoje e amanhã, escrevendo sobre os filmes de suas vidas. Para ler esse pessoal todo, clique aqui.
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Daqui a pouco...

... neste blog, o Filme da minha Vida.
=*

domingo, 26 de abril de 2009

São Luís no Ano da França no Brasil

Dei uma sumida da blogosfera, mas foi por uma causa nobre: é que tô trabalhando num documentário sobre O Ano da França no Brasil e como a programação do projeto foi lançada oficialmente esta semana, fiquei sem tempo até para dormir! E por falar nisso, esta é uma ótima oportunidade para assuntar sobre a minha cidade por aqui , já que São Luís e França tem algumas coisas [importantíssimas, diga-se de passagem] em comum.



Para começar, a História oficial conta que São Luís foi fundada por uma esquadra naval francesa que invadiu o Brasil em setembro de 1612. Os franceses estavam interessados em construir uma colônia francesa no Novo Mundo, a França Equinocial, próxima à Linha do Equador. Deram à colônia o nome do rei-menino que ainda não podia assumir o poder na Europa: e Luís XIII, no Brasil, virou São Luís.

A comemoração do Ano da França no Brasil em São Luís ganha ares mais culturais por conta do título que a cidade conquistou este ano: o de Capital Brasileira da Cultura. Então, o ano inteiro, vai chover de eventos legais por aqui; se você andava pensando em conhecer São Luís, o momento é esse!

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Dia desses, um amigo me ensinou uma "brincadeira" interessante com a sorte de hoje do orkut: acrescente a expressão "na cama" em todas as frases que a sorte de hoje te apresentar. É uma besteira, mas garante boas risadas.

A minha sorte de hoje ficou assim: "Nunca desestimule alguém que evolui, não importa quão lenta seja a evolução na cama." hahahaha, que tolice!

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A próxima Blogagem Coletiva está pertinho! Nos dias 29 e 30 de abril passe para conferir!



quarta-feira, 1 de abril de 2009

25 anos sem Marvin Gaye

Levanta a mão quem nunca sentiu vontade de ligar para o namorado [ou equivalente] e convidá-lo para uma fantástica noite a dois, no exato momento em que ouve o primeiro acorde de Let's Get it On! Todo mundo, né? Essa sensualidade a flor-da-pele foi uma das grandes marcas da obra de Marvin Gaye, astro de talento inegável do Rhythm and Blues, que morreu há exatos 25 anos.
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Gaye foi morto a tiros pelo pai, um pastor evangélico que tinha o mesmo nome do filho famoso, no dia 1° de abril de 1984, a um dia de completar 45 anos. Os tiros foram ocasionados por mais uma discussão entre os dois, coisa que havia se tornado rotineira na família. Problemas com drogas e relacionamentos, além de depressão e manias de perseguição levaram Gaye a voltar a morar com os pais na Califórnia.

Mas antes desse final trágico, esse gênio da soul music nos deixou uma vasta herança musical que ninguém tira da competência e originalidade dele: canções de letras sensuais, álbuns engajados na preservação do planeta [What's Going On] - isso em 1971! - tudo isso consta no inventário artístico de Marvin Gaye, que se estivesse vivo, completaria 70 anos amanhã.

Sexual Healing, lançada no álbum Midnight Love, em 1982, rendeu os dois primeiros prêmios Grammy da carreira de Gaye - nas categorias melhor performance R&B e melhor R&B instrumental. A magistral apresentação de Marvin Gay cantando a canção, na noite do Grammy Awards 83, em fevereiro deste mesmo ano, dá pra ver aqui.

segunda-feira, 30 de março de 2009

O Tarantino quase esquecido

Da série "Filmes que ninguém lembra"

Cães de Aluguel

Quando se fala em Quentin Tarantino, rápido-rápido se pensa em Pulp Fiction ou Kill Bill. Há quem lembre até de Assassinos por Natureza, que Tarantino não dirigiu, mas escreveu - fazendo do filme de Oliver Stone um dos melhores de sua carreira, só por aquela "camada extra" de violência que só o Tarantino pode imaginar. Ok, ok... Mas antes de Pulp Fiction e mesmo antes de Assassinos por Natureza, o esquisitinho do Tennessee já havia escrito e dirigido um dos melhores filmes já produzidos no cinema: Cães de Aluguel [Reservoir Dogs, 1992], decididamente o roteiro mais sem noção que um roteirista pode ter escrito na vida!



Pra começar o filme começa no clímax. Ou em um dos clímax. E a partir deste "desfecho", uma série de coisas começam a acontecer, mas não sem antes explicar como tudo foi dar naquele clímax. Entendeu? É complicado mesmo, mas é possível compreender tudo! De maneira simplista, a história pode ser contada da seguinte maneira: um grupo de ladrões [que não se conhecem, que fique bem claro] se reúne em torno do plano e um assalto a uma joalheria. Serviço simples, alguém de dentro vai facilitar, é só entrar, pegar as jóias, não dar nenhum tiro e pronto: faz-se a partilha e cada um vai para o seu lado, sem saber como um pode encontrar o outro depois do trabalho. Para garantir isso, ninguém no grupo tem nome. Tem codinome: Mr. Pink, Mr. Blue, Mr. White, Mr. Brown, Mr. Green, Mr. Orange e Mr. Blonde, cada um com uma característica marcante; Pink é falador, White é veterano, Blonde é extremamente sádico [a uma certa altura do filme, ele vai ao carro pegar um galão de gasolina para atear fogo em um policial refém].

Como percebemos logo no começo do filme, o plano é mal sucedido e uma situação insólita se estabelece entre os ladrões. Quem morreu? Quem ficou com as jóias? Como os policiais chegaram tão rápido à cena do crime depois do alarme? Alguém traiu o grupo? O clima de desconfiança e a tensão são insuportáveis, especialmente quando fatos anteriores ao assalto vão sendo apresentados e vamos começando a delinear a figura do agente da traição.

Como em todo filme de Tarantino, os diálogos são fantásticos, mesmo aqueles que não tem nada a ver com a trama principal. No início da trama, os ladrões discutem o sentido da letra de Like a Virgin - e formulam uma teoria bem interessante a partir disso. Pink também reclama de levar esse codinome, além de se recusar a dar gorjeta à garçonete que os serve à mesa; tudo dito num diálogo inacreditavelmente criativo e irreverente. Também como em todo filme de Tarantino, há violência e sangue. E sangue. E sangue. Um personagem passa o filme inteiro dentro de uma poça do seu próprio sangue, à beira da morte. Blonde arranca, a faca, a orelha de um policial. Brown leva um tiro da moça de quem queria roubar o carro [pra fugir do tiroteio]. E por aí vai. No trailer abaixo dá para se ter uma vaga idéia...



E muito antes do Sexto Sentido e o menininho que via gente morta, Tarantino já havia quebrado a linha narrativa de um roteiro, contando tudo de maneira não-linear, indo e voltando no tempo, na maior naturalidade, sem que isso se torne confuso. Genial. É um dos Grandes Tarantinos. Pena que quase ninguém lembre dele - como ninguém lembra de Jackie Brown, mas isso é assunto pra outro post.

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Este blogue apoiou a idéia da Hora do Planeta, organizada pelo WWF, e convenci todo mundo aqui em casa, que tínhamos que passar uma hora inteira da noite de sábado com as luzes desligadas. Convenci ainda duas vizinhas e uma de minhas tias. Quero deixar claro que esta não é minha única atitude por um planeta melhor, mas acho que vale à pena fazer com que certas coisas pareçam espetáculo: só assim tanta gente participa. =)


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Mais um selinho da nossa próxima Blogagem Coletiva - o filme da minha vida, que acontece nos dias 29 e 30 de abril.


Passa lá!

terça-feira, 24 de março de 2009

Homenagem ao malandro: um meme musical

Este blogue permance em processo de recuperação do tempo perdido enquanto meu PC esteve em greve. Publico agora um meme que foi uma delícia responder, embora realmente não tenha sido a coisa mais fácil do mundo. Duas fofas me enviaram: a Dani (A louca da casa) e a Elen (Last but not least). A proposta é a seguinte:

1- escolher um cantor(a) ou banda de sua preferência;
2- a cada pergunta feita, terá que escolher um título OU trecho de uma música e colocá-lo como resposta;
3-depois aporrinhar mais 7 blogueiros, repassando a árdua tarefa.

Claro que escolhi responder com trechos, né?! E claro que o ser musical dominante em minha cabeça já há muito tempo é Francisco de Hollanda Buarque, o malandro maior, o rei do "eu feminino", o dono de meus pensamentos musicais, o inigualável Chico Buarque. Aí vão as repostas:

1-És homem ou mulher?
Sou Ana do dique e das docas
Da compra, da venda, das trocas de pernas
Dos braços, das bocas, do lixo, dos bichos, das fichas
Sou Ana das loucas
Até amanhã
Sou Ana
Da cama, da cana, fulana, sacana
Sou Ana de Amsterdam [Ana de Amsterdan]

2-Descreve-te
Você era a mais bonita das cabrochas dessa ala
Você era a favorita onde eu era mestre-sala [Quem te viu, quem te vê]

3-O que as pessoas acham de ti?
Essa moça tá diferente
Já não me conhece mais
Está pra lá de pra frente
Está me passando pra trás
Essa moça tá decidida
A se supermodernizar
Ela só samba escondida
Pra ninguém reparar [Essa moça tá diferente]

4-Como descreves teu atual relacionamento?
O nosso amor é tão bom
O horário é que nunca combina
Eu sou funcionário
Ela é dançarina
Quando pego o ponto
Ela termina [Ela é dançarina]

5-Descreva o momento atual de tua relação
Com açúcar, com afeto, fiz seu doce predileto
Pra você parar em casa, qual o quê! (...)
Quando a noite enfim lhe cansa, você vem feito criança
Pra chorar o meu perdão, qual o quê!
Diz pra eu não ficar sentida, diz que vai mudar de vida
Pra agradar meu coração
E ao lhe ver assim cansado, maltrapilho e maltratado
Ainda quis me aborrecer? Qual o quê!
Logo vou esquentar seu prato, dou um beijo em seu retrato
E abro os meus braços pra você. [Com açúcar, com afeto]

6-Onde querias estar agora?
Mangueira
Estou aqui na plataforma
Da Estação Primeira
O Morro veio me chamar
De terno branco e chapéu de palha
Vou me apresentar à minha nova parceira
Já mandei subir o piano pra Mangueira [Piano na Mangueira]

7-O que pensas a respeito do amor?
O que será que me dá
Que me bole por dentro, será que me dá
Que brota à flor da pele, será que me dá
E que me sobe às faces e me faz corar
E que me salta aos olhos a me atraiçoar
E que me aperta o peito e me faz confessar
O que não tem mais jeito de dissimular
E que nem é direito ninguém recusar
E que me faz mendigo, me faz suplicar
O que não tem medida, nem nunca terá
O que não tem remédio, nem nunca terá
O que não tem receita [O que será (À flor da pele)]

8-Como é tua vida?
Vida, minha vida
Olha o que é que eu fiz
Deixei a fatia
Mais doce da vida
Na mesa dos homens
De vida vazia
Mas, vida, ali
Quem sabe, eu fui feliz [Vida]

9-O que pedirias se pudesses ter só um desejo?
O meu amor tem um jeito manso que é só seu
Que me deixa maluca, quando me roça a nuca
E quase me machuca com a barba mal feita
E de pousar as coxas entre as minhas coxas
Quando ele se deita [O meu amor]

10 - Escreva uma frase sábia
Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios
No ar [Futuros Amantes]

Para encerrar esta humilde homenagem ao malandro, deixo o link de um vídeo da música O meu amor, interpretada por Marieta Seevero e Elba Ramalho na peça teatral A Ópera do Malandro, escrita por Chico Buarque.


Repasso este meme para Renata, d'O mundo na Luneta, para Paty, do Blueberry Lover [ela, que adora música!], para a querida Madrasta Má, para Bia, do Eu não Consigo Odiar Ninguém e para a linda Nina, do Entre Mãe e Filha.

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Deixo também mais um selo da nossa próxima Blogagem Coletiva - O filme da minha vida, a ser realizada nos dias 29 e 30 de abril.


Passa pra ler!

sábado, 21 de março de 2009

Milionário nada: quero mesmo é ser amado!

Acabo de chegar da sala escura, ainda com uma ponta de maravilhamento. Em cartaz, Quem quer ser um milionário? [Slumdog Millionaire], vencedor do Oscar de 2009 na categoria melhor filme. Ok, acho que essa não é a melhor maneira de apresentar o filme de favela que conquistou Holywood, mas o filme foi feito para ganhar o ocidente: ele conta com vários elementos fortes do imaginário coletivo ocidental, como o herói injustiçado, um romance impossível, ainda que perseverante e uma história de superação em meio às corrupções que a vida impõe a todos.


A história de Jamal, favelado e quase analfabeto, que chega onde nenhum intelectual conseguiu chegar - às portas de levar o prêmio de 20 milhões de rúpias num jogo de perguntas e respostas ao melhor estilo Show do Milhão - é apresentada em três tempos, numa maneira muito atípica de se contar histórias: a infância não tão remota, mas muito presente; o andamento do "jogo", poucas horas antes, em que ele respondeu às perguntas na tevê; e o presente trágico, em que ele é torturado na delegacia para que admita que fraudou o programa. Ora! "Como um favelado consegue chegar na última pergunta?" - pergunta o torturador à certa altura.

Lembrando Forrest Gump, Jamal conta reminiscências de sua dura infância, explicando como é que um favelado pode aprender coisas como saber que quem inventou o revólver foi John Colt e que Benjamin Franklin é o careca que aparece na nota de cem dólares. Em meio à violência de sua infância e a violência da tortura que sofre, Jamal só pensa em reencontrar Latika, a dona de seu coração desde que foi apresentado ao vasto mundo de Mumbai - quando uma briga religiosa entre muçulmanos e hindus mata sua mãe e o deixa largado na miséria, junto ao irmão Salim e à própria Latika. Ela sim é o motivo de tudo isso! Estar na tevê para que ela o veja.

Com um começo e um final dignos de Bolywood, a tela nos questiona "como ele conseguiu"? Alternativas - a) ele trapaceou; b) ele é sortudo; c) ele é um gênio; d) estava escrito.

(Pra mim, estava escrito.)
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Quem quer ser um milionário foi dirigido pelo cineasta inglês Danny Boyle, que fez os ótimos Cova Rasa e Trainspotting, o mais ou menos A Praia e o péssimo Por uma vida menos ordinária.
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Mudando o foco, como diria a Renata (O mundo na luneta), recebi um selo, dela mesma.

Ele tem regras. Seguem abaixo:

1) Escrever uma lista com oito coisas que sonhamos fazer antes de morrer;
2) Convidar oito parceiras de blogs amigos para também responder;
3) Comentar no blog de quem nos convidou;
4) Comentar no blog de nossos(as) convidados(as) para que saibam da convocação.

Minhas respostas...

1.Quero ter um filho ou uns filhos. Na verdade, quero mesmo é ser mãe!

2. Quero conhecer lugares exóticos: Índia (todo mundo já sabe); a cidade de Granada, na Espanha; as ilhas gregas; as ilhas Maldivas (antes que elas sumam), entre outros...

3. Quero dirigir um documentário!

4. Quero escrever um livro. Ou vários.

5. Nossa, oito sonhos são muitos sonhos! Vou ficando por aqui com um desejo ardente: Te quero muito, chuchu!

Repasso para Elen (Last but not Least), Nina (Entre Mãe e Filha), Bia (Eu não consigo odiar ninguém), Dani (A louca da casa) e a todos que quiserem levar este selo. E publico aqui mais um dos lindos selos da próxima Blogagem Coletiva em que este blog está engajado - O filme da minha vida.


Aparece pra ler!

quarta-feira, 18 de março de 2009

Estou de volta!

Depois de quase trinta dias sem computador em casa - nossa, tudo isso! - estou de volta à blogosfera, cheia de coisas para blogar! Confesso que estou meio ansiosa e um pouco sem saber o que postar agora, entre tantas coisas, enfim. Antes de mais nada, preciso agradecer aos amigos que passaram por aqui para saber o que se passava! E agradecer aos que tiveram paciência.

Pensando nas prioridades, preciso postar logo o selinho da Blogagem Coletiva deste mês, que vai repetir a dificuldade do mês passado, em que tivemos que escolher o livro da nossa vida: dessa vez a escolha se transpôs para a tela grande! Aí vai:

Blogagem Coletiva: O filme da minha vida
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"Se encontrar um livro que tenha norteado sua vida até agora foi difícil, um filme será próximo do impossível. Eu sei muito bem disso. Existem dezenas de filmes que eu realmente gostei de assistir e virão outros, se Deus quiser. O filme de minha vida é um exercício. Escolher um filme que tenha marcado muito. Se sair uma listinha com dez, ainda assim estará valendo. Mas existe sempre AQUELE filme. Falemos sobre ele.

Caso deseje participar:

1. Deixe seu nome e o link do seu blog, até o dia 27 de abril, clicando aqui;

2. Leve um dos selos da coletiva;

3. Faça um post sobre o evento no seu blog, contendo este passo-a-passo e divulgue o selo;

4. Prepare na data marcada - dias 29 e 30 de abril- um post falando sobre o filme , sobre a experiência de assistí-lo, o que marcou, o que quiser falar sobre ele. Trata-se do seu filme preferido e, e claro, você é quem manda."

A turma que topou a coletiva deste mês fez um monte de selos legais para este tema. Vou publicá-los aqui até chegar o grande dia.


Essa coletiva é mais uma iniciativa da Vanessa, do Fio de Ariadne.
Ela tá ficando craque nisso.
Aparece para ler!
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terça-feira, 10 de março de 2009

Na espera



Continuo sem PC.

Na espera de um novo...
Ou da grana para comprar um novo.
hahaha

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

O primeiro meme a gente nunca esquece!

Esse aqui foi enviado pela Luana Diniz, do Cousas e Louças. Divertido!

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1.A última pessoa com quem falou hoje: Minha mãe, ao telefone, que ligou pra dizer que meu primo ainda não tinha resolvido o problema do meu computador, que não quer ligar.

2.A última coisa que falou: “Esse viado*.”

3.O último pensamento: “Putz, que frio!” [o ar-condicionado está no máximo do frio: 16°, hahahaha...]

4.A última pessoa com quem brigou: Não ando brigando muito, ultimamente... Não consigo lembrar de ninguém que possa estar com raiva de mim.

5.A última pessoa com quem se reconciliou: ...

6.A última pessoa que falou de Deus pra você: Barney, o Leonam, que está trabalhando comigo num freela que estou fazendo no carnaval. Ele é assistente de câmera e é muuuuito legal.

7.O último lugar que você gostaria de estar: no meio de um congestionamento de trânsito na Curva do 90 [ontem estive nele e fiquei muito, muito injuriada]

8.O último filme a que assistiu: O leitor, de Stephen Daldry, muuuuito diferente [gostei]


9.O último livro que leu ou que está lendo: Acabei de ler A menina que roubava livros [amei] e engatei a releitura de Romance Negro, de Rubem Fonseca

10.O último presente que ganhou: um lenço da moda! [quem me deu foi a Biah, minha amiga Fabíola]

11.A última coisa que gostaria de estar fazendo: correndo atrás de ônibus! Que saco!

12.O último telefonema feito ou atendido no seu celular ou telefone: Minha mãe, como expliquei acima

13.O último conselho que deu e pra quem deu: é como aquelas ironias da vida, Maysa morrer sóbria e Gisele esquecer o último conselho que deu, hehehe, eu vivo fazendo isso! =)

14.A última vez que chorou e por que: Sexta-feira passada, acordei de ovo virado. Chorei várias vezes nesse dia, por vários motivos [sempre alguma asneira]. No sábado já estava bem melhor

15.O que faria hoje se fosse seu último dia de vida: acho que faria uma “festinha” com os chegados. Ia querer ver todo mundo que amo!

Como todo meme, precisa passar... deixo para Nina (Entre mãe e filha); Janaína Amado (Enredos e Tramas); Patrícia; Renata (O mundo na Luneta) e Helen Marie (Contos da Madrugada).

* Com "i" mesmo, com aquele significado pejorativo...

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terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

O livro da minha vida

Da série Blogagem Coletiva

Falar de livros nunca foi difícil pra mim. Mas falar do favorito, do melhor de todos, do livro da minha vida? Noooossa, que roubada: desde meu primeiro encontro com um livro, já foram muitos os títulos que passaram por mim e muitas foram as histórias que me fizeram viajar por elas, sem conseguir desgrudar das palavras, das histórias, das situações e do livro em si.

O primeiro que me fez esquecer de tomar banho, esquecer de comer, esquecer até de brincar com meus amigos de infância foi Reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato, que peguei emprestado na Biblioteca Pública Benedito Leite. Aos oito anos de idade, aquelas histórias fantásticas sobre os netos da Dona Benta me fizeram, para sempre, uma leitora ávida e, por vezes, quase compulsiva, cheia de métodos e "manias de leitor": tinha que ler um livro por semana, tinha que ver o número total de páginas antes de começar a leitura, o próximo livro tinha que ter mais páginas que o anterior...


Li tudo que uma criança pode querer ler nessa fase: praticamente toda a Coleção Vaga-Lume da Editora Ática. O primo-professor do meu vizinho recebia os títulos da coleção gratuitamente, presente da editora; os livros iam para meu vizinho e dele para as minhas mãos. Depois começou a paixão pelas bibliotecas e toda quarta-feira era dia de visitar a que funcionava no SESC da Deodoro. Ali fui feliz, em plena adolescência! Fernando Sabino, Herman Hesse, Agatha Christie, Rubem Braga, João Ubaldo Ribeiro e mais um monte de autores eram minha companhia constante: três livros por semana e não menos que isso!
LinkQuando entrei no Curso de Comunicação da UFMA as coisas ficaram mais difíceis para minha leiturinha de todo dia; tinha quer ler textos e textos técnicos, tinha as visitas diárias do Bambu Bar... Mas isso ajudou o hábito a ficar mais refinado. Não dava pra ler qualquer coisa, então tinha que escolher bem as leituras. Foi quando comecei a me dedicar a Joyce, Cortázar, García Márquez, Woolf, Calvino, Camus, Proust... Apesar de minha avidez pelos clássicos, os próximos livros que me marcaram estão longe desse status, embora tenham se tornado clássicos da minha vida.

Garotos Incríveis
, de Michael Chabbon, me fez sentir o mesmo que senti quando li o clássico de Lobato. Esquecia de comer, esquecia da hora de dormir e esquecia que tinha estágio cedinho, no dia seguinte. Foi neste aqui que conheci a Lenda do Doppelgänger, que deu origem a este humilde blog. Me marcou pelos paralelos que encontrei com minha própria vida: o escritor Grad Tripp passa seus dias dando aulas de literatura, colecionando casos amorosos e tentando terminar o grande livro da sua vida, um trabalho que já lhe consome há sete anos, num calhamaço que já conta três mil páginas! Não que eu dê aulas de literatura ou colecione namorados, mas venho tentando escrever um livro já faz tempo...



O último livro a entrar no rol de "Livros da Minha Vida" é de um quase clássico, Salman Rushdie, que ganhou fama ao irritar o aiatolá Khomeinin, um dos papas do Islamismo no século passado, com o livro Versos Satânicos. (Mas não é esse o outro livro da minha vida.) Rushdie estava especialmente inspirado quando escreveu O último suspiro do Mouro e me mostrou a magnífica e inimaginável diversidade da Índia! E olha que isso é muito anterior à novela das oito!

Moraes, o Mouro, indiano de nascimento, tem sangue judeu, português e dos mouros espanhóis de origem árabe nas veias. Envelhece duas vezes mais rápido que os humanos normais, de modo que suas primeiras experiências sexuais começaram aos sete anos de idade - numérica, digamos assim, mas na verdade 14, biologicamente. Tem um punho igual a um martelo e uma família totalmente inacreditável. Inacreditável! Esse livro é mesmo fantástico. Me fez perceber a dor e a delícia de parecermos velhos, sem sermos; de se sentir sozinho, mesmo numa cidade de um milhão de habitantes e ter a certeza que, às vezes, isso não é tão ruim; de descobrir que todas a juras de amor ditas entre quatro paredes não passam de balela, mas que não precisamos encarar isso como o fim do mundo...


É isso. Pode parecer absurdo, mas o livro da minha vida são, na verdade, três! Reinações de Narizinho, Garotos Incríveis e O último suspiro do Mouro. Eu recomendo.

Mas... e aí? Qual é o livro da sua vida?
[Este post integra a ótima blogagem coletiva proposta pela Vanessa, do Fio de Ariadne, sobre o livro da sua vida — não necessariamente o mais bem escrito ou o melhor, mas O livro, aquele que fez toda a diferença pra você.]
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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Minha Primeira incursão numa Blogagem Coletiva

Blogagem Coletiva: O livro da minha vida


Amanhã é o dia marcado para minha primeira incursão no "projeto" Blogagem Coletiva. O tema desta terça é "O livro da minha vida".

Não sei quem inventou essa história de coletiva, mas sei que a de amanhã é uma iniciativa da Vanessa, blogueira lá do Fio de Ariadne, que pensou neste tema dos livros de uma maneira bem interessante. (Dá pra ler aqui).

Para participar é fácil. É só seguir o passo-a-passo (depois da reforma ortográfica, essa expressão mantém o hífen? hehehe):

1. Deixe seu nome e o link do seu blog clicando aqui;

2. Leve o selo da coletiva (dá pra pegar lá no Fio de Ariadne);

3. Faça um post sobre o evento no seu blog, contendo este passo-a-passo e divulgue o selo;

4. Prepare, na data marcada, um post falando sobre o livro, sobre a experiência de lê-lo, o que marcou, etc...

Agora é só escrever.

Té mais!
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domingo, 15 de fevereiro de 2009

Cavaleiros, heróis e um amor impossível

Da série "Filmes que ninguém lembra"

O Feitiço de Áquila

A bela Isabeau está amando loucamente o Capitão Navarre, mas o mal-amado bispo de Áquila, apaixonado pela moça, lança uma maldição sobre os amantes: no raiar do dia, Isabeau se transforma num falcão, enquanto seu amado - que se apresenta em forma de lobo durante a noite - se transforma em gente novamente. Todos os dias. Para sempre. De dia, ele cuida do pássaro, à noite, ela sofre. "Sempre juntos, para sempre separados", como diz um personagem do filme, um dos únicos a tentar ajudá-los a viver este romance.

Esse é o mote d'O Feitiço de Áquila (Ladyhawke), filme de 1985, dirigido por Richard Donner - que também dirigiu o ótimo Goonies, o Superman de 78 e o chatíssimo Máquina Mortífera, dentre outros.

Isabeau é vivida por Michelle Pfeiffer e o Capitão Navarre é nada mais, nada menos que Rutger Hauer, ator que virou símbolo dos anos 80 ao viver Roy Batty, o replicante que toca o terror na Terra no ano de 2019, em Blade Runner. O ajudante do casal, Gaston, o Rato, é mais um ícone da década perdida: o ator Mathew Broderick, eternizado como o impagável Ferris, de Curtindo a vida adoidado. Neste filme também ele é o responsável pelas cenas mais engraçadas da história - até para quebrar o gelo em meio a tanta tristeza - em que ele conversa com Deus a respeito de pecado e salvação, bem ao estilo Ferris conversando com a câmera, em Curtindo...



A cena mais bonita do filme, pasmem, é feita com um monte de efeitos toscos - umas sobreposições de imagens e uma luz amarela intermitente - em que, por alguns segundos, no nascer do sol, os apaixonados quase se encontram, mas sem sucesso. Os lindos olhos azuis de Michelle se transformam em olhos de pássaro e Navarre, arrasado já em forma de homem, lamenta não ter pego as mãos da amada a tempo de não vê-la sair voando, literalmente. Tocante.

Dá pra ver essa cena aqui, via Youtube!

E aí? Lembram?
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terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Jesus! Que Luz!

As últimas notícias da mídia internacional de celebridades só dão conta da rainha do pop, Madonna, aquela que estrelou o quentíssimo "Erotic", publicou "Sex", cantou aos sussurros "Justify my love" e chocou o mundo no início da década de 90 ao admitir gostar de meninos e meninas.
Mas, aos cinqüenta anos, Madonna encontrou Jesus e o caminho da Luz!
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É perfeitamente compreensível o fato de Jesus Luz, modelo brasileiro que está enlouquecendo a rainha do pop, ter cegado completamente a loira. Nas primeira fotos publicadas do ensaio produzido para a revista "W", aqui no Brasil, dá pra ver a cara embabascada que Madonna não consegue disfarçar ao olhar o garotinho. E que garotinho...
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quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Bom Natal!

Não se tem muito o que comemorar no natal, além dos recordes de venda do comércio, a velha tradição do brasileiro de deixar tudo para última hora, a 25 de março ( e o Saara) apinhada de gente se endividando, etc... Apesar disso, bom natal a todos!
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domingo, 30 de novembro de 2008

É Peixe! ou O que tem de bom na Rede - 7


Se você anda meio cansado da mesmice nossa de cada dia, o FaceinHole.com pode ser a saída para uma vida virtual mais animada... Como sugere o nome do site - "cara no buraco", numa tradução livre - a página faz fotomontagens em que é possível colocar seu rosto em corpos de celebridades. E não só elas: astros do esporte, do cinema, da animação infantil, da História, da atualidade, enfim, ''cenários" diferentes para combinar com o humor do dia. É possível sair de lá como a cantora Beyoncé na capa de seu último álbum, como a"Noiva" do filme Kill Bill, como a top Gisele Bündchen na capa da Vanity Fair e até como a estátua O Pensador, de Rodin.

Para criar as montagens basta escolher o cenário - ou a celebridade - e selecionar uma foto, em jpeg, de seu computador. Também é possível gerar a imagem a ser usada a partir da sua webcam. No próximo passo, é só fazer as adaptações necessárias - enquadramento do rosto e cor da foto - e salvar. Para salvar a foto é preciso fazer um cadastro simples, com nome e email apenas.

Essas foram as minha experimentações:



Em tempos de Natal, o FaceinHole também quebra um galho e envia cartões-postais aos seus amigos. Você pode enviar por email ou mesmo imprimir os arquivos para entregar em mãos. Um dos meus já está pronto.


Vá lá produzir os seus e divirta-se!
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domingo, 31 de agosto de 2008

Grande revelação

Da série "Panacéia"
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Então tá!
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sábado, 23 de agosto de 2008

Licença Olímpica

Andam dizendo por aí, que nos Jogos Olímpicos de Pequim, as mulheres tiveram supremacia nas competições - pelo menos no que tange ao Brasil. Houve brasileira medalhando no judô, medalhando na vela, medalhando no taekwondo, medalhando bem no futebol e melhor ainda no atletismo e no vôlei.

E hoje os resultados confirmaram a boataria: o vôlei feminino levou medalha de ouro e no taekwondo, uma mocinha levou o bronze (medalha histórica). Um dia feminino.

O power girl exacerbado deste sábado até me lembrou um grande achado da internet nesses últimos dias: num game online engraçadíssimo - o Escape From Rehab - a nossa sempre querida, embora louca, Amy Winehouse tenta fugir da reabilitação e, de quebra, libertar o amado Blake Fielder-Civil da prisão. No caminho, iminigos estranhos tentam atrapalhá-la, mas a diva conta com o auxílio luxuoso de seringas envenenadas, cachimbos de crack e garrafas de uísque para se defender. Hilário.
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O game faz parte da estratégia de divulgação do filme Disaster Movie, que tem estréia mundial marcada para o próximo dia 29. (É mais um daqueles besteróis americanos que parodiam os filmes e as personalidades mais badaladas da temporada, incluindo a pobre Amy Winehouse).

P.S. Winehouse não é nenhuma atleta, mas seria uma conquista olímpica se ela conseguisse tirar o marido da prisão!

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

A Magia do Vermelho

Na fábula encantada Os Sapatinhos Vermelhos, de Hans Christian Andersen, a mocinha orfã perde as estribeiras quando calça uns sapatos vermelhos finíssimos que ganhou de sua benfeitora. Quando Caio Fernando Abreu escreveu Os Sapatinhos Vermelhos (como parte do livro Os dragões não conhecem o paraíso), em meio aos loucos anos 80, ele trouxe de volta a velha história do objeto fascinante que exerce um efeito devastador sobre quem o usa. Dessa vez, sem as pieguices românticas do século XIX, mas sim recheado da loucura desenfreada da chamada "década perdida": um coração partido, um par de lindos e sedutores sapatos vermelhos e uma noite ainda criança.

Os sapatinhos vermelhos também estão presentes no clássico O Mágico de Oz, em que a Bruxa Má do Oeste se rói de inveja da menina Dorothy quando a Fada do Norte lhe confia os mágicos sapatos de rubi. E eles seguem com ela pela estrada de tijolos amarelos, num magnífico technicolor que torna ainda mais mágico o vermelho esfuziante dos calçados. Os sapatinhos rubros que Dorothy calçava a fizeram perceber o óbvio, ao fim de sua jornada - não antes de bater os calcanhares: que "não há lugar como nosso lar".

Andersen, Caio Fernando Abreu e Dorothy também nos falam que não há nada mais encantador - e sedutor - que sapatos vermelhos. Podem ser de pano, como na história do dinamarquês. Ou escandalosamente vermelhos, como no conto do gaúcho ("mais que vermelhos: rubros, escarlates, sanguíneos - com saltos finos altíssimos, uma pulseira estreita na altura do tornozelo"). De rubi, como os da menina perdida em Oz. Mas todos mágicos em sua cor.

Às vésperas de completar 70 anos do lançamento de O Mágico de Oz, o rubro fascínio dos sapatos de Dorothy chegou também à moda. Mais de uma dúzia de grandes estilistas - dentre eles Manolo Blahnik, Moschino e Oscar de la Renta - já produziram croquis em que se tenta chegar aos sapatinhos vermelhos ideais para a mulher contemporânea. Tudo baseado na fantástica história de Oz, seu mágico, a menina carregada pelo tornado, a fada boa e a bruxa má: tem que ter a magia, tem que ter o brilho, tem que ter o encanto dos mágicos sapatos vermelhos. Algumas tentativas já foram apresentadas:






São lindos, mas há que se ter cuidado extremo no manuseio. Vide o que aconteceu com a orfã de Andersen e com a "quase quarentona" desiludida de Caio Fernando Abreu. Dorothy e sua mágica batida de calcanhares são apenas uma exceção.

P.S. Uma das coisas mais fascinantes do filme de 1939 é a passagem da vida chata - e em preto e branco - que Dorothy leva na fazenda do Kansas para o fantástico mundo colorido de Oz. Só podia ser um lugar "além do arco-íris", como diz a bela música, premiada com o Oscar de melhor canção original no ano de lançamento da obra. Dá para vê-la (e ouvi-la) aqui.
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sábado, 19 de julho de 2008

Dá pra acreditar?

Da série "Panacéia - remédio para todos males"



Amém, irmãos!

quarta-feira, 16 de julho de 2008

A obra-prima do Superman

Da série "Filmes que ninguém lembra"



Cristopher Reeves, antes de ser o eterno Super-Homem e antes de se tornar símbolo da luta pela qualidade de vida - quando a vida já anda muito difícil - vivendo tetraplégico numa cadeira de rodas, cometeu a proeza de escolher o melhor papel de sua carreira, o perplexo Richard Collier, que neste fantástico filme de 1980, volta quase 70 anos no passado para reviver (ou viver, quem sabe) o grande amor de sua vida.

A louca, mas convincente história conta como o teatrólogo saiu do presente para viver um amor inesquecível num passado em que ainda nem tinha nascido. Tudo começa quando uma misteriosa velhinha o aborda na sua estréia teatral e antes de desaparecer, um tanto misticamente, pede a ele, bem baixinho "volte pra mim". Anos mais tarde, numa crise de criatividade, se hospeda num antigo balneário, o Grand Hotel, e visitando as dependências do local, encontra numa galeria o retrato de uma jovem mulher (Jane Seymour) por quem fica apaixonadamente obcecado. Ele descobre que a tal moça foi Elise McKenna, uma grande atriz que se apresentou no teatro do hotel em 1912 e, coincidentemente (?), fica sabendo que a moça é mesma velhinha que encontrou anos antes. A partir deste encontro insólito, Richard luta desesperadamente para reencontrar esta mulher do passado e acaba conseguindo. (Não me pergunte como. Isso é secundário. O amor dos dois é muito mais interessante).

Já que o filme se inicia com Elise bem velhinha e Richard jovem, dá para imaginar que o desfecho da história não é dos mais felizes, embora a história seja apaixonante. Dá pra derramar lágrimas e lágrimas de tristeza na cena em que o teatrólogo percebe que não é um homem do tempo de Elise, e num repente, é sugado dali no melhor estilo "De volta para o futuro": de partir o coração!

Encerro a postagem com um vídeo sobre o filme, invocando a Santa Cissa Guimarães e sua voz sexy solfejando a já clássica frase "... direto do túnel do tempo..."

Informações adicionais:

Em algum lugar do passado (Somewhere in Time), 1980, direção de Jeannot Szwarc, roteiro de Richard Matheson, baseado em obra do mesmo autor.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Bajulação Explícita

E no meu aniversário...


















Para olhar melhor clique na imagem


Não que eu não seja, hahaha, mas não aguento bajulação!
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